Joaquin “El Chapo” Guzmán, o ”traficante mais poderoso do mundo” como os Estados Unidos lhe chamaram em 2003, começou esta segunda-feira a ser julgado num tribunal federal de Brooklyn, em Nova Iorque, sob fortes medidas de segurança, rodeado de secretismo e com a escolha dos 12 elementos que vão compor o júri.

“El Chapo”, que esteve preso durante dois anos na Prisão de Alta Segurança do Sul de Manhattan, enfrenta prisão perpétua, caso venha a ser condenado por 11 crimes de tráfico de droga, posse de armas e lavagem de dinheiro.

Considerado o mestre das fugas, dado que já tinha estado preso por duas vezes e conseguiu fugir de prisões de alta segurança no México, o julgamento do traficante mexicano estará envolto na maior segurança possível. As medidas de segurança incluem encerrar a Ponte de Brooklyn ao trânsito de cada vez que o mexicano for a tribunal ou regressar à prisão. ” As autoridades colocaram a hipótese de fechar a ponte duas vezes por dia, mas isso é uma loucura. Isso perturbaria toda a cidade”, conta fonte policial ao jornal New York Post. 

O barão da droga será transferido a cada duas semanas por precaução, dado corre o risco de ser assassinado, confirmou esta segunda-feira uma fonte policial ao mesmo jornal. O  traficante, de 61 anos, só passará os fins de semana na ala de alta segurança no Centro Correcional Metropolitano (MCC) em Manhattan. Às segundas-feiras,  será transportado de lá para a prisão Federal de Brooklyn e retornará ao Centro Correcional às sextas-feiras, disse a fonte.

Acusado de dirigir o Cartel de Sinaloa, o mais poderoso do mundo, “El Chapo” apresentou-se esta manhã em tribunal por volta das 9h30 (hora local) com a prevista escolta policial, disse fonte policial ao jornal nova-iorquino.

Uma fonte policial com conhecimento do plano de segurança afirmou que as autoridades consideraram que Joaquin “El Chapo” Guzmán poderia tentar fugir utilizando a mesma técnica de Rédoine Faid, uma ladrão condenado que escapou em julho de uma prisão francesa por helicóptero e com a ajuda de homens fortemente armados.  Nesse sentido, as autoridades reforçaram o perímetro de segurança dentro e à volta do tribunal com recurso a cães utilizados para detetar bombas e metais.

Escolha do júri já começou. Alegações iniciais previstas para 13 de novembro

Durante a seleção dos 12 elementos do júri o julgamento será fechado ao público, sendo permitida a entrada apenas a cinco meios de comunicação social.

Um dos advogados do traficante mexicano, Jeffrey Lichtman, disse à agência France Presse que o julgamento terá “centenas de testemunhas”. Mas quase ninguém sabe, nem mesmo os advogados de “El Chapo”, quem testemunhará contra ele.

De acordo com informações anteriores do juiz que presidirá ao julgamento, Brian Cogan, os doze jurados escolhidos permanecerão anónimos e serão transportados para o tribunal com escolta policial. “De muitas formas este julgamento não tem precedentes. A atenção pública é extraordinária. Não há muitos casos em que as alegações sejam dramatizadas em produções televisivas e em podcasts antes mesmo de o julgamento começar”, considerou o juiz Brian Cogan.

O Cartel de Sinaloa, de Guzman, canalizou mais de 200 toneladas de droga para os Estados Unidos e o traficante terá contratado pessoas para eliminar testemunhas e rivais.

Espera-se que o julgamento demore até quatro meses. As alegações iniciais são esperadas para dia 13 de novembro. Acusação consiste em 300 mil páginas, 117 mil gravações de áudio e centenas de fotos e de vídeos.