Pablo Ibar voltou a ser considerado culpado do assassinato do empresário Casimir Sucharski e de duas bailarinas no verão de 1994. O norte-americano, que tem também nacionalidade espanhola, foi novamente julgado num tribunal do condado de Broward, no norte de Miami, e declarado culpado pelo júri composto por 12 pessoas. Os jurados vão voltar a reunir-se a 25 de fevereiro para decidirem se mantêm a sentença anterior, de pena de morte, ou se a reduzem para prisão perpétua. Ibar esteve 16 anos no corredor da morte.

Será a decisão do juiz, que irá proferir a sentença em fevereiro, que irá determinar o próximo passo a dar pela defesa de Ibar. O advogado Benjamin Waxman explicou ao El País que se o juiz condenar o seu cliente à pena de morte, irá apelar diretamente ao Tribunal Superior da Flórida. Se a sentença for a de prisão perpétua (mesmo que os jurados escolham a morte como a acusação tem vindo a pedir, o juiz pode sempre reduzir a pena), o caso será remetido para o Tribunal Federal. Independentemente do que aconteça no próximo mês, o processo pode arrastar-se ainda durante vários anos, lembrou Waxman, referindo que passaram seis anos desde a primeira condenação de a primeira apelação.

Pablo Ibar, filho de um basco e de uma cubana, foi detido a 14 de julho de 1994 e desde então que tenta provar a sua inocência. Ibar, apanhado pela polícia por causa de uma discussão, um ajuste de contas entre ele, os amigos e uma família do norte de Miami por causa de um negócio de droga, acabou acusado de um triplo homicídio ocorrido algumas semanas antes, a 27 de junho, relatou o El País. Na madrugada desse dia, um grupo de homens invadiu uma vivenda em Broward e assassinaram o empresário da noite Casimir Sucharski e as bailarinas Sharan Anderson e Marie Rogers.

Uma imagem a preto e branco, captada por uma câmara de vigilância que mostrava a cara de um dos assassinos, chegou às mãos do mesmo detetive que tinha detido Ibar a 14 de julho. O homem que surgia na imagem era tão parecido com o espanhol que Paul Manzella não teve dúvidas de que tinha apanhado o assassino de Sucharski. No decorrer das investigações, ainda foi detido um outro suspeito, Seth Peñalver. Apesar de condenado à pena de morte, Peñalver acabou por sair em liberdade depois de o seu julgamento ter sido repetido. Ibar não teve a mesma sorte.

Depois de seis anos de adiamentos e de um primeiro julgamento anulado porque os jurados não foram capazes de chegar a um acordo, Pablo Ibar foi condenado à pena de morte em 2000. O primeiro pedido de recurso, feito em 2006, foi recusado e voltou a sê-lo em 2012. Só em 2016, 16 anos de ter sido considerado culpado, é que Ibar, até então no corredor da morte, voltou a tribunal depois de o Supremo ter dado ordem para que o julgamento fosse repetido. A razão era a defesa ineficaz e o facto de o espanhol ter sido condenado com base em provas débeis e escassas. De acordo com o El Mundo, no novo julgamento, a acusação pediu novamente a morte, salientando a brutalidade do crime e baseando-se no mesmo vídeo que a defesa tem vindo a questionar.