O incêndio que destruiu grande parte de Notre-Dame, a icónica catedral medieval localizada na Île de la Cité, no coração de Paris, cuja construção se iniciou em 1160, não teve consequências mais graves graças ao empenho com que os bombeiros franceses fizeram frente ao imenso braseiro. Ainda assim, as chamas que devoraram o interior da igreja católica mais conhecida de França e a segunda mais famosa do mundo, depois da Basílica de São Pedro, no Vaticano, contou com a ajuda de robots, que não só reforçaram a acção dos seres humanos, como atacaram o fogo onde os bombeiros de carne e osso não podiam aceder.

No combate ao incêndio, dois drones telecomandados da DJI permitiram a cada momento que os soldados da paz decidissem qual a melhor forma de combater as labaredas que destruíam o interior da catedral com 859 anos, sobrevoando o local. Mas um outro robot, equipado com lagartas e capaz de lidar com uma mega-mangueira que disparava a 330 metros cerca de 2.500 litros de água, por minuto, também fez parte desta operação.

Apelidado Colossus, o robot em causa é conhecido como RED (Robot d’Extinction à Distance), tendo sido concebido e fabricado pela Shark Robotics. À prova de água e resistente ao fogo, não há muitas situações que o RED não consiga enfrentar. Controlado através de uma consola, que pode estar a 5 km de distância, o Colossus está ainda equipado com projectores de iluminação e câmara de vídeo em emissão constante para a consola. Contudo, a sua característica mais apreciada é o canhão de água, de saída regulável em contínuo, consoante o tipo de incêndio que enfrenta, e que tanto pode projectar água a mais de 300 metros, como espalhá-la em leque, a 180º. Limitação tem apenas uma: estar ligado a uma mangueira que lhe forneça 2.500 litros de água por minuto, o que exige uma equipa de 10 pessoas para deslocá-la, especialmente quando está cheia de água sob pressão.

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Estreito (76 cm de largura) para poder passar por portas e subir escadas, este bombeiro mecânico pesa 500 kg e desloca-se com a ajuda de duas lagartas para maximizar a tracção, mesmo nas piores condições. O movimento é assegurado por dois motores eléctricos com 4 kW cada, alimentados por 6 baterias de 29,8V e 46Ah, o que lhe permite uma autonomia de 6 a 8 horas.

A velocidade máxima não é importante num veículo com estas características, com o RED a atingir 3,5 km/h. Substancialmente mais interessante é a sua capacidade de “escalar” subidas com inclinações até 45º e passar por cima de objectos com 30 cm de altura.

No combate ao incêndio de Notre-Dame, numa fase em que o perigo de ruir o tecto da nave principal era iminente,  desaconselhando por isso a permanência no interior de bombeiros, foi o Colossus o herói. Desempenhando as funções para as quais foi concebido, apontou o seu potente canhão de água às labaredas que ameaçavam a estrutura e poupou o que ainda restava da catedral.

O revestimento a chumbo do telhado em madeira (solução utilizada para o impermeabilizar) dificultou o ataque com água pelo exterior, o que somado ao imenso pé-direito (que assegurava uma superior quantidade de oxigénio para alimentar as chamas),  tornou este incêndio impossível de controlar sem a ajuda do Colossus, que disparou água em todas direcções a partir do centro da catedral. E nem o intenso calor que se fazia sentir no interior ou o risco de desabamento limitaram a capacidade operacional deste inovador sistema de combate. Isto enquanto os restantes 400 elementos dos bombeiros ajudavam a apagar as chamas a partir do exterior.  O L’Obs recorda tudo isto em vídeo: