Uma nova edição da Assírio & Alvim de Poema à Duração, de Peter Handke, vencedor do Prémio Nobel da Literatura de 2019, vai chegar às livrarias portuguesas esta quinta-feira. O livro estava há muito esgotado.

Com introdução e tradução de José A. Palma Caetano, o longo poema, “de forte carácter filosófico”, foi publicado originalmente em 1986. Trata-se de uma reflexão sobre o sentido da duração, que pode ser encontrada “nos momentos quotidianos, na repetição e na renovação, em tudo o que é transitório, nas pequenas e nas grandes coisas — e sobretudo no amor”, sintetiza a editora.

Peter Handke nasceu Griffen, na Áustria, em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, mas cresceu na Berlim ocupada pelas forças soviéticas. Com uma vasta obra publicada, que atravessa diferentes géneros, como a ficção, o ensaio ou o drama, tem um percurso igualmente ligado ao cinema e ao teatro, tendo sido dramaturgo, realizador e argumentista de filmes. Foi pelo seu contribuído para a ficção contemporânea, que foi atribuído, em 2019, o Prémio Nobel da Literatura, uma decisão que não foi alheia a críticas.

Personagem altamente controversa, um dos episódios mais famosos da vida do autor austríaco é o da sua participação no funeral do ex-presidente da Sérvia e da antiga Jugoslávia, em 2006. Não é certo que tipo de relacionamento teria Peter Handke com Slobodan Milosevic, mas é certo que o escritor sempre tentou afastar as acusações mais graves que eram dirigidas ao homem que ficou conhecido como o “carniceiro dos Balcãs”. Numa entrevista, chegou a dizer que era excessivo chamar ao ex-presidente “tirano”.

A atribuição do mais importante galardão literário ao escritor gerou fortes críticas, nomeadamente da parte do governo bósnio e dos descendentes das vítimas do massacre de Srebrenica, que aconteceu durante a Guerra da Bósnia.