Primeiro fez saber que abandonaria o diesel e, depois, garantiu que a partir de 2022, a sua gama só seria composta por modelos electrificados. É esta a posição pública da Honda, construtor nipónico que está prestes a ficar mais “verde”, ao introduzir no mercado o seu primeiro modelo a bateria, o Honda “e”.

Em Portugal, os preços do eléctrico japonês ainda não são conhecidos, mas em Espanha já arrancaram as vendas, o que nos permite, desde já, ficar com ideia muito próxima dos valores que deverão ser praticados no mercado português, quando o mesmo acontecer por cá. Aqui ao lado, de momento, a Honda exige pelo “e” valores a partir de 37.800€. É caro? O Observador ainda não teve oportunidade de testar o pequeno BEV nipónico, o que faremos no início de Fevereiro. Até lá, para perceber se o valor cobrado em Espanha (de que Portugal pouco deverá divergir, além da diferença relativa ao IVA, que ali é de 21%, ligeiramente inferior aos nossos 23%) é ou não competitivo, nada como olhar para as restantes propostas já no mercado.

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Com um estilo assumidamente rétro, a bitola do Honda “e” inscreve-o algures entre os segmentos A e B. No primeiro, já militam o Volkswagen e-up! e os “manos” checo e espanhol do citadino alemão, respectivamente Skoda Citigoe iV e Seat Mii electric. Face a estes, o Honda “e” é mais comprido, mais largo e mais alto, e deverá oferecer uma melhor habitabilidade, pois todos estes modelos são quatro lugares, mas o eléctrico japonês usufrui da maior distância entre eixos. Já a volumetria da mala é inferior à da família urbana da Volkswagen:

Medidas (m) Honda e Volkswagen e-up! Seat Mii Electric Skoda Citigoe iV
Comprimento 3,894 3,600 3,557 3,597
Largura 1,752 1,645 1,645 1,645
Altura 1,512 1,492 1,478  1,481
Entre eixos 2,530 2,417 2,421 2,422
Bagageira (l) 171 251 251 250

Porém, se as medidas o favorecem, o mesmo não acontece no preço praticado, nem na autonomia anunciada. Para já, no mercado espanhol, o Honda “e” só está disponível na versão Advance, sinónimo de uma potência de 154 cv (113 kW) e um equipamento muito completo, que inclui bancos e volante aquecidos, tecto panorâmico, sistema inteligente de abertura e arranque, câmaras como retrovisores exteriores, assistente de estacionamento, entre outros. Se esta versão exige os tais 37.800€, lá mais para a frente será disponibilizada uma mais básica, com 100 kW (136 cv), proposta por 34.800€. Em qualquer dos casos, a tracção é sempre traseira.

Significa isto que o modelo nipónico oferece muito mais potência que os rivais do Grupo Volkswagen (83 cv), mas fica claramente atrás no alcance, pois os 220 km que anuncia em WLTP perdem para os 260 km do e-up!, Mii e Citigo – todos eles a recorrerem a uma bateria de iões de lítio de 60 Ah com 36,8 kWh de capacidade, enquanto a do Honda “e” tem 35,5 kWh.

Pode este eléctrico de 18.000€ ser a melhor opção?

Os números do Honda “e” tornam-se menos interessantes no que respeita ao preço. Em Espanha, onde já estão definidos os valores para estes rivais, a proposta japonesa é a mais cara. Considerando exclusivamente as versões de entrada, os 34.800€ do Honda “e” distanciam-se grandemente dos 18.490€ do Seat, 19.850€ do Skoda e dos 22.585€ do Volkswagen e-up! (dados Km77).

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Extrapolando o comparativo para o segmento dos utilitários, é ainda possível comparar o Honda “e” com os novos eléctricos do Grupo PSA. Corsa-e e Peugeot e-208 são tracção à frente mas reclamam a mesma potência da versão de acesso do eléctrico japonês (136 cv).

 
Medidas (m) Honda e Opel Corsa-e Peugeot e-208
Comprimento 3,894 4,060 4,055
Largura 1,752 1,765 1,745
Altura 1,512 1,435 1,430
Entre eixos 2,530 2,538 2,540
Bagageira (l) 171 267 265

Além de maiores e com mais argumentos para transportar bagagens, os dois utilitários da PSA vão mais longe (Opel 330 km, Peugeot 340 km), cortesia de uma bateria de maior capacidade (50 kWh). E são mais baratos: em Portugal, o Corsa-e é proposto por valores que arrancam nos 29.990€ e o e-208 tem preços a partir de 32.150€. Em Espanha, os eléctricos da PSA custam, respectivamente, 28.690€ e 29.350€.

Tudo indica que a Honda escolheu como benchmark o Mini Cooper SE, o eléctrico da marca britânica que deverá chegar a Portugal em Março de 2020, por um preço de 34.400€. Tal como o Honda, também o Mini a bateria anuncia 3,845 metros de comprimento, 1,727 m de largura e 2,495 m na distância entre eixos. A bateria do Mini com 28,9 kWh (32,6 kWh totais) assegura uma autonomia de 230 km, para o motor de 184 cv permitir ir de 0-100 km/h em 7,3 segundos.