Arrancou esta terça-feira, em Lisboa, o StartUps Growth Lab, um programa da Google que quer ajudar nas próximas oito semanas oito startups portuguesas (e com ADN português, porque nem todas estão sediadas em Portugal) a acelerarem os seus negócios. Através de programas de formação em serviços Google, mentoria de empreendedores e a presença de “googlers” (funcionários da empresa que chegaram a vir dos escritórios de Chicago), a Google quer ajudar estas startups a acelerar o crescimento de receitas e clientes.

O StartUps Growth Lab é uma iniciativa de apoio ao empreendedorismo que começou na Google de Tel Aviv (Israel) e já teve também edições nos escritórios da empresa em Madrid (Espanha). Segundo afirmou Bernardo Correia esta manhã no evento de arranque do programa, o seu objetivo é a Google “dar alguma coisa de volta”. Ao mesmo tempo, a tecnológica quer também “aprender” com estas startups.

O programa de aceleração de oito semanas não vai implicar que a Google tenha nos escritórios que ocupa em Lisboa desde metade de 2019 as startups incubadas. Como explicou ao Observador Nuno Pimenta, responsável das áreas de startups, retalho e viagens na Google Portugal, um dos principais organizadores do projeto, estas startups já estão numa fase mais matura e sustentável.

Estamos a falar de startups que estão num estágio relativamente acelerado do seu percurso. Não estamos a falar de startups que estão numa fase muito inicial, aí faz sentido falar de programas com residência. Aqui falamos de startups que estão num estágio, que já tem equipas (…) e que neste momento o que precisam é de ajuda para fazer crescer o negócio. Nesse sentido, não nos pareceu que fizesse sentido que estivessem aqui o dia todo”, explica Nuno Pimenta.

As oito empresas escolhidas pela Google para participar na edição portuguesa do StartUps Growth Lab fazem parte de “um grupo restrito” que “aceitou o desafio”, como as definiu Nuno Pimenta. Apesar de a Google estar a dar “alguma coisa de volta”, o responsável da empresa explica o que a empresa também ganha ao permitir que utilizem “da melhor forma” ferramentas como o Adwords ou o Google Analytics, entre outros.

Quando os nossos parceiros conseguem fazer crescer o seu negócio, quando conseguem ter mais clientes, nós ganhamos com isso. Estamos preocupados em garantir que este ecossistema de startups continua a criar inovação em Portugal, continua a contribuir para a transformação digital do país. Quando isto acontece, a Google acaba por beneficiar disso também”, diz Nuno Pimenta.

Desde 2018, em Madrid, já participaram neste programa da Google outras startups portuguesas como a empresa de comida e brinquedos para cães Barkyn, fundada e liderada por André Jordão. “Participou em dois programas do Google for Startups, não só no Growth lab em Madrid, mas também no programa de aceleração com residência em Madrid. Isso ajudou-os muito no seu percurso”, garante Nuno Pimenta.

Barkyn é a única startup portuguesa em programa da Google em Madrid

Este apoio de aceleração vai decorrer entre os escritórios de cada empresa e o novo escritório que a Google Portugal ocupa desde metade de 2019, na Rua Braamcamp e na Rua Duque de Palmela, onde decorreu o evento de apresentação.

Como conta João Janes, vice-presidente de Marketing na Lovys, uma das startups que quer revolucionar o mercado dos seguros e que está a participar neste programa, a ajuda da Google neste programa vai passar por reuniões semanais. Estas passarão por chamadas de vídeo com a startup que já tem escritórios no Porto, Leiria, Lisboa (Portugal) e Paris (França), onde tem a sede, ou workshops nos escritórios da Google em Lisboa.

Apesar de a Lovys não ter o presidente executivo ou fundador a participar no Growth Lab, João Janes garante que vai passar tudo o que vai aprender a todos os que trabalham na sua startup. “Acho que a Google ganha [com este programa] em perceber novos modelos de negócio. A própria Google precisa [disso]. Uma empresa que precisa apenas de si própria para inovar está condenada a não inovar para sempre”, adianta, sobre esta relação com a Google. “A Google precisa deste contacto externo para perceber como se pode adaptar também a estes mesmos modelos”, refere ainda.

À direita, Afonso Vasconcelos e Guilherme Melo Ribeiro, dois empreendedores que foram escolhidos para participar neste programa da Google.

Outras startups, como a Your Best Life, criada em janeiro de 2019 por Afonso Vasconcelos e Guilherme Melo Ribeiro, têm neste programa os fundadores presentes. Os dois amigos de escola, agora com 28 anos, tiveram “percursos completamente diferentes” e “voltaram a cruzar-se” acabando por criar “uma plataforma digital para guiar as pessoas para a sua melhor vida”. O projeto cativou a Google e ao Observador referem que nas próximas oito semanas vão “aprender com um dos tubarões e partilhar as experiências” que já tiveram.

Tivemos um grande crescimento no Facebook e Instagram. [Queremos] com os recursos em canais da Google, que é um crescimento mais sustentável e que mostrou muito potencial. Nada melhor do que utilizar as ferramentas da Google e o próprio YouTube [para continuar a crescer”, contam Afonso e Guilherme.

Os dois empreendedores querem também utilizar este programa para “entrar no ecossistema [das startups] em Portugal”. “O ano passado foi um ano de teste e ficámos presos num ou dois canais mais relacionados com redes sociais. Uma das coisas que retiramos deste programa é diversificar canais”, assumem.

Além destas startups, nas próximas oito semanas a Springkode, a Kencko, a EatTasty, a Infraspeak, a Casafari, e a TripWix, tudo empresas criadas por portugueses e com presença em Portugal, vão acelerar com a Google os seus projetos. O StartUps Growth Lab vai decorrer até 17 de março. Segundo Nuno Pimenta, não há ainda planos sobre se vai ser expandido a mais países.