No mesmo dia em que nas contas espanholas sobre o novo coronavírus se registaram 803 vítimas mortais, 17.325 infetados e 1107 recuperados, o governo liderado por Pedro Sanchez pronunciou-se sobre a situação dos transportes e as medidas que serão implementadas para impedir, por exemplo, o corte de bens essenciais aos consumidores mais vulneráveis.

A conferência de imprensa conjunta, realizada esta quinta-feira, com o ministro dos Transportes, José Luis Ábalos, e a vice-presidente do governo e ministra da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico, Teresa Ribera, começou com um agradecimento de Ábalos em nome de todo o Executivo “a todos os pessoal médico” e uma mensagem de “solidariedade para com as pessoas afetadas”.

“A pandemia ultrapassou a capacidade de antecipação de Espanha e de todos os países afetados mas a abordagem de restringir a mobilidade está a dar resultados muito bons”, começou por ressalvar o ministro. No total registou-se desde o primeiro dia em que as medidas foram postas em vigor que os comboios passaram a funcionar apenas com 2% da sua ocupação, a Renfe cancelou todos os bilhetes que já tinha vendido e a circulação na via pública foi reduzida em 89% .

Mesmo assim, Ábalos admitiu que existem ainda preocupações em relação “às condições em que as transportadoras estão a funcionar” e que, por isso, estão a tentar “melhorar as condições de alguns meios de transporte terrestres” — por exemplo, na circulação em autocarros públicos, os passageiros vão passar a ter de “entrar pela porta dos fundos e deixar a fila atrás do motorista vazia”, nunca sendo permitido que se ocupe “mais de um terço do veículo.” Os voos para as ilhas Canárias e Baleares, por exemplo, também já foram restringidos.

Ábalos anunciou que “o exército vai desinfetar o porto de Barcelona e o aeroporto de El Prat” ainda durante a tarde desta quinta-feira e a polícia vai passar a poder “exigir que passageiros expliquem os motivos de sua viagem” mas afasta, por enquanto, a possibilidade de se “fechar o espaço aéreo”.

A ministra Teresa Ribera, por sua vez, debruçou-se mais sobre medidas de proteção social e de macroeconomia. “Temos que garantir que todos possamos viver em completa tranquilidade, com os serviços básicos para nosso conforto como o acesso à água, eletricidade e gás”, afirmou. Como tal, o governo tem monitorizado a procura e os preços sobre bens energéticos, admitindo “intervir no mercado caso seja necessário”.

A ministra anunciou também a decisão de impedir o corte de eletricidade a qualquer cidadão espanhol “enquanto se mantiver o estado de emergência” — depois de este terminar, o governo compromete-se a trabalhar junto dos municípios para “regular ou resolver situações mais complexas”.

O preço do gás butano também será congelado “se não cair nos próximos meses” e “todos os trabalhadores independentes podem que vejam o seu rendimento reduzido em 75% vão poder beneficiar de um adiamento de seis meses no pagamento de eventuais dívidas fiscais”.