Depois dos títulos “O Essencial Sobre…” e dos dois volumes de Um Breve História, a Imprensa Nacional – Casa da Moeda (INCM) começou a disponibilizar gratuitamente alguns clássicos nacionais. Os dois primeiros volumes da coleção “Biblioteca Fundamental da Literatura Portuguesa”, coordenada por Carlos Reis, já se encontram online, mas todas as quartas-feiras haverá um novo.

Esta quarta-feira, depois de na semana passada ter sido colocado no site da INCM a coletânea de poemas Clepsidra, de Camilo Pessanha, ficou disponível A Ilustre Casa de Ramires, de Eça de Queiroz. Como explica a INCM, este romance, que começou a ser publicado na Revista Moderna, de Paris, no final da década de 1890, “incide sobre um tema que muitas vezes seduziu“ Eça, isto é, “o tema da História”.

“Representado como autor de uma novela histórica, Gonçalo Mendes Ramires protagoniza uma reflexão sobre a escrita literária, sobre o passado da sua antiquíssima família (que é também o passado histórico de Portugal) e sobre os termos em que no presente é vivido esse legado. A par disso, A Ilustre Casa de Ramires traduz ainda uma conceção da literatura como fator de análise crítica dos costumes, na linha de uma propensão realista que se mantém ativa no Eça do fim do século”, sintetiza a editora.

A Torre da Lagariça está à venda. Será que inspirou mesmo Eça de Queiroz?

A utilização da história para fins ficcionais em A Ilustre Casa de Ramires levou a que se tentasse identificar o lugar real onde o romance de Eça se passa. Diz a lenda, que a Torre dos Ramires é a Torre da Lagariça, que o escritor terá encontrado quando visitou Resende em finais do século XIX. É isso que tem vindo a ser defendido ao longo dos tempos por vários investigadores e historiadores, nomeadamente Edmée Fonseca, e que António Apolinário Lourenço, professor de literatura na Universidade de Coimbra e coordenador da área de Estudos Espanhóis da mesma instituição, pôs em causa no artigo “Lugares fictícios e protocolos realistas: Los Pazos de UlloaLa Madre Naturaleza e A Ilustre Casa de Ramires”, de 2017.

Torres à parte, na próxima quarta-feira, haverá um novo livro da “Biblioteca Fundamental da Literatura Portuguesa”, neste caso Cânticos do Realismo. O Livro de Cesário Verde.