A aplicação móvel que o governo britânico está a desenvolver para controlar a pandemia de Covid-19 após o fim do confinamento vai estar pronta dentro de duas a três semanas, revelou esta terça-feira fonte oficial.

Segundo o presidente-executivo da unidade de transformação digital do Sistema Nacional de Saúde (NHS, na sigla inglesa), Matthew Gould, em declarações na comissão parlamentar de ciência e tecnologia, a Pivotal Labs, uma empresa de software com sede em São Francisco, Estados Unidos, fez a maior parte do trabalho na construção da aplicação.

Gould reconheceu que será difícil conseguir que 80% da população descarregue a aplicação, apesar dos esforços para respeitar “a privacidade das pessoas e, ao mesmo tempo, ser eficiente em proteger as pessoas”. 

O Reino Unido é um dos países que está a desenvolver aplicações para o telemóvel destinadas a conter a taxa de contágio do novo coronavírus à medida que aliviar as medidas de distanciamento social em vigor.

O ministro da Saúde, Matt Hancock, revelou que o governo vai implementar um sistema de rastreamentos de casos de pessoas infetadas, procurando alertar aquelas que estiveram em contacto próximo recentemente para que possam monitorizadas, testadas ou entrarem em isolamento.

Um sistema manual com inicialmente 18.000 funcionários vai funcionar em paralelo com a aplicação móvel, através da qual as pessoas que estiveram contacto com um alguém diagnosticado com o novo coronavírus serão alertadas automaticamente através do telemóvel.

Matthew Gould disse que a aplicação vai usar a funcionalidade sem fios bluetooth para registar anonimamente os utilizadores que estiverem em contacto próximo, mantendo os dados nos telemóveis. 

Posteriormente, se um deles desenvolver sintomas da Covid-19 ou for diagnosticado, poderá acionar o envio dos dados para um servidor central para que os contactos possam ser alertados.

No entanto, este sistema depende do aumento da capacidade de testagem no Reino Unido, atualmente em cerca de 40.000 testes diários, mas que o governo espera aumentar para 100.000 até quinta-feira.

O governo britânico tem recusado revelar quando e como vai fazer o fim do confinamento, em vigor desde 23 de março e prolongado até ao início de maio.

O primeiro-ministro, Boris Johnson prometeu preparar um plano com “a maior transparência possível”, em consenso com empresas, diferentes regiões do Reino Unido e também com os partidos da oposição.

O Reino Unido é atualmente um dos cinco países com maior número de mortes derivadas da pandemia de Covid-19, 21.678 de acordo com o balanço de terça-feira do Ministério da Saúde, com 586 novos óbitos registados nas últimas 24 horas. O boletim diário das autoridades de saúde britânicas passam agora a incluir também as mortes em lares, onde 4.000 pessoas morreram nas últimas duas semanas.