A morte de Ihor Homenyuk pode ter sido causada por agressões de três inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), que o espancaram no aeroporto de Lisboa a 10 de março. Mas estes não foram os únicos implicados no caso. Seguranças, enfermeiros e outros inspetores do SEF (no total poderão ser 12) tiveram algum envolvimento no caso.

Pelo menos é o que conclui um relatório da Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI) revelado na edição deste sábado do Público. O jornal adianta que os seguranças e inspetores mostraram uma “ausência de qualquer preocupação” pelo estado de saúde do ucraniano e “até da satisfação das suas necessidades mais básicas”. Ou seja, mostraram uma “postura generalizada de desinteresse pela condição humana” de Ihor Homenyuk, diz a IGAI (o órgão que fiscaliza as polícias).

“Isto aqui é para ninguém ver”. As 56 horas que levaram à morte de um ucraniano no aeroporto de Lisboa

Sobre o enfermeiro presente, o IGAI escreve: “Não podemos deixar de referir a censurabilidade do comportamento do enfermeiro que considerou razoável que o cidadão se mantivesse, pelo menos, sete horas, manietado, sabendo que a sua agitação poderia advir da falta de medicação e que a utilização da fita adesiva, para a contenção física do cidadão, seria inadmissível”.

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Aliás, a IGAI salienta que o auxílio ao detido – já agredido – se atrasou “em 15 minutos numa fase crítica” devido a “descoordenação entre a equipa de socorro da Cruz Vermelha Portuguesa e o oficial de segurança”, escreve o Público.

Sobre a autoria das agressões, a IGAI mostra poucas dúvidas. “O cuidado que tiveram de evitar o registo de entrada; os objectos que transportaram; os gritos proferidos pelo Ihor; as expressões que proferiram; a algemagem a que procederam contrariando todas as regras – deitado e algemado atrás das costas; a colocação de fitas brancas a imobilizar braços e pernas; o terem determinado aos vigilantes que não vissem o que ali se estava a passar; o tempo que permaneceram no interior da sala e o estado em que dali saíram, conduzem à conclusão inelutável” de que os três inspetores do SEF acusados foram “os autores das agressões”.