A pandemia da Covid-19 já impactou diretamente os rendimentos individuais de 45% dos portugueses, de acordo com os resultados de um inquérito divulgados esta sexta-feira pelo Parlamento Europeu. Ao mesmo tempo, 31% dos portugueses dizem que ainda não viram os seus rendimentos afetados pela pandemia — mas esperam que isso aconteça no futuro. Só 15% dos portugueses afirmam que a pandemia não afetará os seus rendimentos.

O inquérito, realizado em todos os estados-membros da União Europeia, coloca Portugal numa situação pior do que a média europeia. Na totalidade do bloco europeu, 39% dos cidadãos dizem já ter tido os seus rendimentos afetados pela pandemia, 27% preveem que isso aconteça no futuro e outros 27% estão convictos de que a Covid-19 não lhes afetará os rendimentos.

A pandemia afetou mais duramente os cidadãos de Chipre (onde 57% dizem já ter sofrido impacto nos rendimentos), Grécia (55%), Espanha (55%) e Roménia (55%). No extremo oposto, a Dinamarca foi o país onde menos cidadãos sentiram esse impacto (apenas 17%, contra 54% que dizem que não esperam nenhum impacto nos rendimentos), seguida do Luxemburgo, na Holanda, da Finlândia e da Suécia.

O estudo foi feito a pedido do Parlamento Europeu e procurou, em grande medida, perceber o posicionamento dos cidadãos dos 27 estados-membros face às instituições europeias na resposta à pandemia. Numa das perguntas, foi pedido aos inquiridos que escolhessem, de entre uma lista, a palavra mais adequada para descrever o seu estado de espírito perante a Covid-19. Na maioria dos países, incluindo em Portugal, a palavra mais escolhida foi “incerteza”. Só em cinco países (Suécia, Letónia, Bulgária, Estónia e Roménia) a palavra foi “esperança”.

Em Portugal, 60% dos inquiridos optaram por “incerteza”.

Portugueses satisfeitos com a UE

De acordo com o estudo, 61% dos portugueses estão moderadamente satisfeitos ou muito satisfeitos com as medidas implementadas pela União Europeia contra a pandemia da Covid-19, estando Portugal acima da média europeia no que toca ao agrado com a ação da UE (a nível europeu, a média é de 46%). Este indicador reflete o sentimento generalizado dos portugueses: 65% têm uma ideia positiva ou muito positiva da União Europeia.

Ao mesmo tempo, 83% dos portugueses concordam que a União Europeia devia ter mais competências para lidar com crises como a da pandemia (enquanto a média europeia é de 66%) — e 67% dos portugueses dizem que a UE devia dispor de mais meios financeiros para conseguir ultrapassar as consequências da pandemia.

De acordo com um comunicado do gabinete do Parlamento Europeu em Portugal, “é da maior importância para os europeus que os fundos vão apenas para Estados membros com um sistema judicial funcional e um forte respeito pelos valores democráticos comuns”.”Mais de três quartos dos inquiridos (77%) concordam que a UE devia apenas disponibilizar fundos aos Estados membros na condição dos seus Governos implementarem o Estado de direito de princípios democráticos“, diz a representação nacional do PE.