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Duas semanas depois de o Governo ter anunciado que a estratégia era passar a “testar, testar, testar”, o plano de como é que tal vai ser feito ainda não está concluído. Só a partir da meia noite desta segunda-feira é que vão passar a ser prescritos testes a quem teve contactos considerados de baixo risco com doentes Covid. Sobre como se vão vacinar professores e, até, alunos regularmente ainda nada está fechado, segundo explicou o secretário de estado adjunto, António Lacerda Sales, em entrevista à RTP.

“Não navegamos à vista”, disse mais que uma vez o governante para justificar que as medidas demoram tempo a ser pensadas, discutidas e, depois, postas em prática. Sobre o anunciado reforço na testagem como estratégia para combater a propagação do novo coronavírus, — que já consta numa norma da Direção Geral da Saúde — e numa altura em que os testes reduziram, Lacerda Sales lembrou que a testagem “não é uma estratégia isolada do Ministério da Saúde”, mas sim “intersetorial” — com os ministérios do Trabalho, da Educação e da Economia.

É verdade que vão reforçar a testagem em escolas e fábricas, mas ainda se discute como. Poderá vir a ser “de sete em sete dias ou de 14 em 14 dias” e poderá incluir crianças, advertiu. Também nas empresas de construção civil ainda não está concluído o plano, desconhecendo-se também se os testes poderão vir a tornar-se gratuitos no setor empresarial. O governante anunciou depois que, pelo menos, os contactos de baixo risco com doentes infetados iriam passar a ter prescrição para fazerem o teste à Covid-19 já a partir da meia noite.

Quanto ao rastreamento de contactos, de forma a perceber a origem do vírus e conseguir interromper as cadeias de transmissão, Lacerda Sales agarrou-se aos números de dezembro de 2020, em que eram 427 os rastreadores, para em janeiro de 2021 serem já 1127 pessoas, entre militares das forças armadas, funcionários autárquicos ou funcionários públicos, sem nunca dizer que faltavam profissionais nesta área.

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No dia em que houve reunião do Infarmed para o Governo ouvir os especialistas sobre a evolução da pandemia, o governante foi também muito claro em relação ao desconfinamento: “é muito prematuro”. Ainda assim disse que este era um “confinamento com esperança”, porque todos já perceberam que “está a produzir resultados”.

Resultados estes que não dependem de um indicador só. O secretário de estado adjunto lembrou as “linhas vermelhas” que definem quando se pode avançar, cortando nas restrições: o número de camas de enfermaria ocupadas com doentes Covid, que deve ser inferior a 1500, o número de camas em Unidades de Cuidados Intensivos, que deve ser inferior a 200, e, por fim, uma incidência cumulativa a 14 dias que deve ser de 60 casos, o que significa 400 a 428 casos por dia. “Ainda estamos longe destes indicadores”, explicou, acreditando que em março se possa conseguir atingir estes números.

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Lacerda Sales lembrou que agora é também importante retomar os cuidados a todos os doentes não Covid. Para tal, anunciou foram já contratualizadas com os hospitais mais 9,8% de consultas externas (o que ronda as 950 mil consultas) e mais 22% de cirurgias programadas (83 mil cirurgias) do que em 2020. Houve també, um reforço de 8 mil profissionais no sistema (que depois da pandemia regressam aos seus seus outros trabalhos) e um reforço de 160 médicos e mais de 400 enfermeiros nas Unidades de Cuidados Intensivos.