André Ventura não está preocupado com o facto de ter ficado fora da grande coligação de direita que quer derrotar Fernando Medina. Depois de Carlos Moedas ter atirado o Chega para fora da família das forças moderadas e progressistas, Ventura traça uma profecia: no final do dia, “virão, como sempre, implorar por acordos”.

No seu discurso de apresentação formal de candidatura, Carlos Moedas distinguiu entre os partidos que quer ao seu lado — PSD, CDS, Iniciativa Liberal, PPM, MPT e Aliança — e o partido liderado por André Ventura, que nem sequer foi referido no discurso, sugerindo uma cerca sanitária em relação ao Chega.

Aos olhos de Ventura, esta posição de Moedas é ouro sobre azul. “É a confirmação de que o Chega é o único partido antissistema e o partido que a falsa direita quer isolar”.

“É o que dá ser o único partido verdadeiramente contra a corrupção, o clientelismo e os interesses instalados do sistema”, diz ao Observador.

Moedas nas entrelinhas: as críticas a Medina, a garantia de vitória e a cerca ao Chega

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O líder do Chega vê esta exclusão da lista de possíveis aliados de Carlos Moedas como uma “medalha de honra”. O projeto de Moedas, diz Ventura, não é mais do que uma coligação negativa” em que estão todos a ver se anulam o efeito Chega antes das legislativas.

“Essa cerca que querem impor será mais facilmente derrubada do que um castelo de cartas, porque no final não serão acordos de secretaria a decidir, mas sim o voto popular”, atira.

O partido vai enfrentar eleições autárquicas pela primeira vez desde a criação do Chega. Depois de ter ficado fora do acordo pré-eleitoral assinado entre PSD e CDS, Ventura garantiu que o partido iria sozinho a votos e promete dar luta aos restantes partidos. “Vamos à luta sozinhos“, remata.

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