Mais de mil ucranianos manifestaram-se esta quarta-feira no centro de Kiev contra a vacinação anti-covid-19 e as restrições impostas aos não vacinados, numa altura em que o país está a ser fortemente atingido por uma vaga da doença.

Os manifestantes reuniram-se em frente ao parlamento antes de bloquearem, por alguns instantes, o tráfego no bairro onde se situa a sede do Governo.

Empunhando cartazes com mensagens como “Não à vacinação, não à implantação de chips” ou “Não às experiências médicas, protejamos os nossos filhos”, os manifestantes defenderam o direito a não serem vacinados contra a Covid-19.

“Não quero ser vacinada com uma vacina desenvolvida num estado de emergência, isso não me inspira nenhuma confiança”, justificou manifestante Natalia Goloubtsova, uma reformada de 62 anos, em declarações à agência francesa de notícias AFP.

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Outra manifestante, Olena Makovyk, de 50 anos, considerou que a vacinação é uma “experiência médica”.

Não somos uns drogados que têm de injetar qualquer coisa a cada seis meses”, referiu.

A Ucrânia, um dos países mais pobres da Europa, com cerca de 40 milhões de habitantes e onde o sentimento antivacinas é generalizado, enfrenta, há semanas, uma progressão muito rápida da pandemia, transmitida pela variante Delta do vírus, a estirpe mais contagiosa.

Com 720 mortes registadas esta quarta-feira, a Ucrânia consta da lista dos três países do mundo com mais mortes diárias, logo atrás dos Estados Unidos e da Rússia.

O país também registou quase 23.400 novos casos positivos nas últimas 24 horas, após um pico de quase 27.000 novos infetados por dia contabilizados na semana passada.

Para impedir esse surto, as autoridades continuam a pedir aos ucranianos para que se vacinem com um dos três fármacos disponíveis: Pfizer/BioNTech, AstraZeneca ou Coronavac.

Até agora, no entanto, só 7,6 milhões de pessoas receberam as duas doses de vacina, o que representa um em cada cinco ucranianos.

Apesar de apenas pouco mais de metade (54%) da população ser a favor da vacinação, segundo os resultados de um inquérito divulgado na terça-feira, a imunização acelerou em outubro devido à pressão das autoridades, que impuseram restrições para os não vacinados, como a obrigação de mostrar um certificado de imunidade para entrar em certos locais públicos.

Entre os países mais afetados por esta retoma da epidemia contam-se também a Rússia, a Bulgária, a República Checa, a Hungria e a Polónia, sendo que os países atualmente com mais contágios na Europa comparativamente à sua população são a Letónia, a Estónia e a Geórgia.

A Covid-19 já provocou pelo menos 5.012.784 mortes em todo o mundo, entre mais de 247,54 milhões infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da AFP.

Em Portugal, desde março de 2020, morreram 18.180 pessoas e foram contabilizados 1.092.666 casos de infeção, segundo dados da Direção-Geral da Saúde.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em vários países.