Sentado a uma pequena mesa branca, Douglas Stuart esperava por nós. Ao seu lado, estava a edição portuguesa de Shuggie Bain, o romance de estreia que o tornou conhecido no Reino Unido (onde lhe foi “unanimemente” atribuído o Booker Prize), América e mundo fora. “Estava à procura da minha cena favorita”, confessou, com um sorriso. O escritor, um escocês residente nos Estados Unidos que decidiu trocar uma já longa carreira no mundo da moda pela literatura, percebe “um bocadinho” de português, mas é o conhecimento privilegiado de um livro em que trabalhou durante dez anos que lhe permite encontrar a passagem de que mais gosta.

Foi precisamente por aí que começámos a nossa (longa) conversa com Douglas Stuart, de passagem por Lisboa a propósito da publicação da edição portuguesa de Shuggie Bain pela editora Alfaguara, sobre as memórias do filho de uma mãe alcoólica da classe operária de Glasgow, a dificuldade de encaixar num lugar que nos quer afastar, a dificuldade de publicar um romance que é uma lição de empatia e a esperança, um sentimento que não tem sempre de ser como um nascer do sol. Às vezes pode ser apenas uma vontade mais forte de continuar.

A edição portuguesa de "Shuggie Bain" foi publicada este mês de setembro, pela Alfaguara. A tradução é de Hugo Gonçalves

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.