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O atelier, na Doca de Alcântara, é um grande armazém virado para o Tejo e acolhe no primeiro andar a sala de trabalho de Joana Vasconcelos. “Artiste”, ironiza a placa na porta, sem deixar margem para dúvidas. Ela está a maquilhar-se num anexo e a tarefa demora o suficiente para que a assessora nos faça uma visita guiada a cantos e recantos do atelier — a entrada com trabalhos em curso, os corredores com esculturas antigas, quase ninguém por estes dias, por causa da Covid-19.

Por fim, a artista aparece. Vêm aí quase duas horas de conversa direta e informal. Joana Vasconcelos vai rejeitar a imagem do criador deprimido de há século e meio, que considera ainda hoje prejudicar o entendimento do público sobre os artistas. Vai dizer, de gravador desligado, que gosta de chegar a casa a horas de jantar e que antes da meia-noite já está a dormir, porque não perde noites em dramas criativos. Vai descrever-se como uma livre-pensadora com a função de refletir sobre o presente. E assumirá que se considera uma empresa, pois arte e negócio não são incompatíveis.

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