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Sobrancelhas arqueadas, sorriso desafiador, braços cruzados. Quem olhasse para a Rosa Grilo naquele momento não diria que tinha acabado de ser condenada à pena máxima prevista na lei pelo homicídio do marido. Foi precisamente para a família da vítima que, já depois de ficar a saber a sua sentença, olhou — olhos semicerrados —, para depois perguntar:

— Onde está a tua mãe?

A arguida perguntava por Júlia Grilo a um dos seus filhos. Queria saber onde estava a irmã do marido — que, na verdade, o triatleta via como mãe. Depois de, no entendimento do tribunal, ter matado o seu irmão e, ao mesmo tempo, um “filho”, queria agora, momentos depois de ser condenada pelo homicídio, saber onde ela estava. Mas Júlia Grilo, que ao longo das 14 sessões do julgamento marcou presença na primeira fila, não estava ali. O sentimento era exatamente de desilusão, porque a cunhada — ou “sogra” — não estava presente. E a postura de Rosa Grilo parecia denunciar qual seria a sua intenção — como se lhe quisesse perguntar: “Estás satisfeita com 25 anos?”.

Mas não perguntou. Sem Júlia Grilo, Rosa virou costas ao público e continuou a fazer o que mesmo que tinha feito desde que os juízes e jurados tinham abandonado a sala. Ora sorria, ora sacudia o cabelo. Ora se levantava, ora se sentava. Ao mesmo tempo, ia conversando, alternadamente, com os guardas prisionais e a sua advogada, Tânia Reis. Lá pelo meio, virava-se para o pai, de quem recebia e para quem mandava beijinhos. O pai ficou até ao fim, sentado já sem ninguém a seu lado, na primeira fila. Se Rosa Grilo procurava pela “mãe” do triatleta no final do julgamento, bem podia também procurar pela sua própria que não a ia encontrar — tinha abandonado a sala de audiências assim que a juíza leu, no acórdão, que a filha seria condenada a 24 anos de prisão só pelo crime de homicídio qualificado, a que somariam outros pelas restantes acusações.

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