A informação de que uma criança de seis anos tinha morrido após ser vacinada contra a Covid-19 começou a tornar-se viral na Argentina, com dezenas de publicações com e sem fotografias da jovem.

“Ela era Valen. Tinha seis anos, era saudável e ontem de manhã foi inoculada (…). Chegou a casa, sentiu-se mal e deitou-se. A mãe saiu para comprar um analgésico, quando voltou Valen já tinha morrido.” O relato pormenorizado e dramático espalhava-se pelas redes sociais e instalava o medo nas famílias, numa altura em que as crianças começam a ser vacinadas na Argentina.

Mas, apesar de a história ter sido publicada como sendo real, trata-se de uma informação falsa. De acordo com a AFP, há várias razões que desconstroem a publicação: o erro na localização da escola, o facto de a vacinação ainda não ter começado ao dia da primeira partilha e os desmentidos da mãe e da escola que a criança frequenta.

Em primeiro lugar, as publicações falam na escola “Thelma Roca”, em Santiago del Estero, mas não existe qualquer estabelecimento de ensino com esse nome na região. Existe sim o colégio Telma Reca, que reagiu nas redes sociais com um esclarecimento para repor a verdade. A direção informou que “a notícia que circula em mensagens e áudios sobre o falecimento de uma menina de seis anos é totalmente falsa”, e alertou que estas informações levaram a um “mal-estar com a incerteza e medo gerado na comunidade educativa”.

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No mesmo sentido, também o Ministério da Saúde da província de Santiago del Estero veio desmentir as publicações, ao dizer que a vacina na escola Telma Reca apenas estava marcada para o dia 15 de outubro e a informação da morte da criança foi divulgada no dia 14 de outubro, o que, desde logo, demonstra um erro temporal. Além disso, há um outro pormenor: o certificado de vacinação naquela localidade não é igual ao da fotografia da menina, como é possível comprovar numa notícia do site da autoridade de saúde local.

Em declarações à AFP, também a mãe da menina da fotografia, Vanesa, confirmou tratar-se de uma informação errada. A menina tem nove e não seis anos, como diz nas publicações partilhadas nas redes sociais, foi realmente vacinada contra a Covid-19, mas “não teve nenhuma reação adversa” e está saudável.

A mãe da criança soube que a imagem da filha estava a ser partilhada com uma informação falsa através da irmã e explicou que a fotografia foi partilhada no status do WhatsApp e no Facebook após a vacinação da jovem, mas trata-te de uma conta de Facebook privada. Assim, a AFP revela que em algumas partilhas é possível ver o nome de utilizador que Vanesa tem no WhatsApp, o que leva a concluir que a imagem foi capturada nessa rede social.

Agora, a mãe da criança pede que seja reposta a verdade e que não se mantenham as partilhas falsas em que se lê que a criança morreu após ser vacinada.

Conclusão

Não há qualquer fundo de verdade na informação que está a ser divulgada nas redes sociais da Argentina e que sugere que uma criança de seis anos morreu após ter sido vacinada contra a Covid-19. A mãe da jovem já veio esclarecer que a menina foi vacinada, que não teve qualquer reação adversa e que está saudável. Além disso, outras entidades confirmaram que há vários erros nas publicações em causa, desde confusões no local em que o ocorrido teria acontecido até à data errada, tendo em conta que a vacinação não tinha começado naquela escola no momento da publicação. Trata-se, portanto, de uma notícia falsa.

Segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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