Uma publicação de Facebook, de dia 17 de julho, mostra um suposto estudo da revista científica “The Lancet” sobre autópsias a pessoas que tomaram a vacina contra a Covid-19. A conclusão? “74% das mortes foram causadas pela vacina. A revista retirou o estudo em 24 horas”. Trata-se, no entanto, de uma publicação falsa.

Publicação viral alega que revista “The Lancet” apagou um estudo revisto. É falso.

O artigo em questão direciona-nos para um site de credibilidade duvidosa, com um vídeo em que se fala de um doutor, McCullough, e de uma jornalista,  Naomi Wolf, que surgem numa chamada online, para falar da alegada investigação da revista científica The Lancet. Nesse vídeo reforça-se, novamente, que o alegado estudo foi retirado 24 horas após ter sido publicado. Apesar de falarem em evidências do tal documento, que teria tido imensos downloads no decorrer daquelas horas, o site nunca partilha um link para se poder consultar o estudo.

Ora, na verdade, esse documento esteve online, mas noutro servidor que não o da The Lancet. Trata-se de outro com o qual a revista científica colabora, mas o estudo acabou retirado por não ter seguido o processo normal de revisão de pares — um procedimento habitual neste tipo de estudos científicos. Esse artigo chama-se “A Systematic Review of Autopsy Findings in Deaths after Covid-19 Vaccination” pode ser consultado e está disponível mediante pagamento. Este repositório (que se chama “preprints” em inglês) é usado por investigadores ou cientistas que queiram colocar o seu trabalho para revisão. É necessário afirmar e reforçar, tal como está descrito por outros fact-checkers internacionais que desmentiram publicações semelhantes à que o Observador está a verificar, que o estudo não estava sustentado nos métodos tradicionalmente utilizados pela revista científica — além da AFP, também a Science Feedback, uma organização sem fins lucrativos, baseada em França, verificou publicações relacionadas.

O que são esses “preprints”? Segundo a “The Lancet”, trata-se  de “uma versão de um manuscrito científico publicado num servidor público anterior a qualquer revisão de pares”. Esta informação pode ser consultada no site oficial daquela revista científica. É importante acrescentar que qualquer um dos autores do estudo não revisto por pares já foi alvo de verificação de factos, como explica a AFP Checamos.

Conclusão

Não é verdade que a revista científica “The Lancet” tenha apagado um estudo sobre autopsias que revelava que 74% das pessoas vacinadas contra a Covid-19 tinham morrido como consequência da inoculação. Há, de facto, um estudo publicado noutro servidor que não o da revista e que não foi revisto por pares.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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