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“Ando há uns tempos com uma ideia de mais uma iniciativa que acho que poderia resultar editorialmente. Também sobre saúde.” O e-mail foi enviado para Miguel Pinheiro, diretor executivo do Observador, a 24 de outubro de 2023. Nos dois parágrafos seguintes, Paulo Farinha, editor de Inovação, explicava porque achava que aquele era um tema que merecia atenção. Dois dias depois, Miguel Pinheiro deu luz verde à proposta, entretanto formalizada, de uma iniciativa editorial sobre dor. |
Porque ela existe e porque há ainda muito para saber sobre ela. A dor crónica afeta 36,7% da população adulta, um em cada três portugueses. Um número avassalador que a maioria – incluindo os doentes – desconhece. Por tudo isto, lançámos esta sexta-feira, Dia Nacional de Luta Contra a Dor, o novo projeto do Observador dedicado à saúde, focado no diagnóstico, tratamento e impacto da dor na sociedade — doentes, famílias, serviços de saúde ou empresas. |
A dor vai muito para lá do sofrimento e do desconforto. Reflete-se no dia a dia na capacidade de trabalhar, nos movimentos mais básicos, nos momentos mais naturais de qualquer pessoa. Estima-se que as despesas anuais em Portugal relacionadas com dor cheguem aos 4,6 mil milhões de euros, repartidos entre tratamentos, controlo de sintomas, faltas ao trabalho, baixas médicas ou reformas antecipadas. |
Entre a proposta inicial e a concretização passaram dois anos. Faltava a equipa especializada, faltava o tempo necessário, faltavam os parceiros que poderiam ajudar a viabilizar o projeto. O desbloqueio viria em julho deste ano. Numa parceria com a FAI Therapeutics, com a colaboração da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor e da plataforma SIP-Portugal, o projeto tinha finalmente condições para avançar. A equipa começou a ser formada, estava quase quase tudo pronto, mas… faltava ainda uma coisa, o nome da secção. Discutimos dezenas de hipóteses, pesquisámos fontes especializadas em saúde, pedimos sugestões à IA e nada. A resposta está, muitas vezes, à frente do nariz, na eficaz simplicidade de uma palavra certeira. Ficou “Dor”, porque é disso que se trata. |
A nova secção do Observador “Dor” segue-se a outras três também na área da saúde e ciência: “Arterial”, “Mental” e “Mentes Brilhantes”. Procurámos o melhor da ciência e também os casos reais, que nos ajudam a compreender como é viver condicionado pela doença. Paulo Farinha, que coordena a iniciativa, e as jornalistas Sofia Teixeira e Cláudia Pinto contam-nos histórias como a de Mariana Carvalho, por exemplo, a ex-atleta de alta competição que recebeu um diagnóstico de artrite reumatóide aos 20 anos. Ou a de Joaquim Brites, presidente da Associação Portuguesa de Neuromusculares e pai de um doente com distrofia muscular de Duchenne. Ou a de Carina Raposo, a enfermeira que há vinte anos ajuda doentes com dor crónica a enfrentar o dia a dia. É sobre ela, a primeira reportagem da série “O que eu aprendi com a dor dos outros”. E foi logo aí, à primeira, que a jornalista Sofia Teixeira se deparou com uma realidade em que muitas vezes não reparamos: a dos profissionais de saúde que são, também eles, doentes ou têm condições de saúde que lhes provocam dor, o que confere ainda maior humanismo à rubrica. |
A nova secção do Observador “Dor” está disponível a partir de hoje. Acreditamos que poderá ajudar a entender melhor o sofrimento de muitos e – oxalá – trazer um pouco de alívio e esperança aos doentes, familiares e profissionais de saúde. |
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