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Parece que não está fácil, o reerguer da geringonça. Será porque o céu está mais cinzento por estes dias? Será porque o PCP e o Bloco constataram que não há nada de tão evidente a ganhar com o apoio à maquineta, que causou sangria de votos a todos? Será que estes dois partidos se sentem apenas impotentes para dar mais a mais e tomaram consciência de que não vão poder satisfazer as reivindicações dos professores, dos enfermeiros, dos médicos, dos pensionistas, dos jovens, dos animais e de outras classes de géneros vários – correndo o risco de se verem colocados, assim, do lado “errado” da História, ao abdicarem do protesto enquanto arma e da rua enquanto refúgio?

Será que António Costa perdeu o mojo? Terá ele sido despojado dos seus poderes de negociador-mago e de construtor de pontes entre gregos e troianos, na sequência dos frustrantes resultados das eleições (sim, insisto, o conjunto dos partidos da geringonça teve menos votos… apesar do sucesso retumbante que a comunicação social lhe atribuiu depois do malabarismo festivo de Costa e Catarina na noite eleitoral)?

Uma coisa é certa – não será por falta de incentivos por parte dos media que o PS falhará a construção de um novo modelo governativo mais ou menos seguro e que terá a vida mais dificultada. A comunicação social pátria, na verdade, demitiu-se do escrutínio da governação e desinteressou-se, durante os últimos quatro anos, de pedir responsabilidades a António Costa (com algumas excepções, onde pontua este jornal onde escrevo).

Mas basta um olhar rápido pela imprensa internacional para perceber que o mundo vê aquilo que os portugueses não vêem e que não é universal a eficácia ilusionista com que António Costa consegue esconder toda a poeira debaixo do tapete – e não me refiro a prestar atenção à comunicação social que publica, uma vez por ano, um artigo elogioso das finanças lusas, que logo é amplificado pelos spin doctors mediáticos e transformado em vassalagem global ao génio socialista.

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