A resposta é o silêncio quando o tema é corrupção, roubo ou expediente para tirar partido da lei e receber subsídios indevidos (à luz da ética e do bom senso).

São ex-ministros, deputados, secretários de estado que povoam os lugares do poder e que adoram falar do que não sabem e apressar legislação sobre temas que o povo não pediu para serem tratados, criando uma agenda que nos ocupa e distrai do verdadeiro problema do nosso País: a teia de corrupção instalada. Em cada caso que se descobre, encontra-se mais um político, muitas vezes ex-governante. Depois a complicação da nossa justiça e a perícia dos corruptos faz com que os casos se arrastem de modo a que um dia, se houver condenados, terá que se adaptar a prisão para onde forem com camas articuladas e cadeiras de rodas porque os condenados estarão certamente em velhice muito avançada.

Mais engraçado ainda é apreciar o furor que se cria quando saem cá para fora notícias sobre os processos judiciais. Aí vêm todos clamar sobre a ética e o perigo que é para todos nós a exposição de informação e imagens que deviam ficar reservadas aos processos da justiça.

E quando saem notícias sobre o dinheiro que foi prometido no orçamento, mas depois cativado? Não nos roubaram nada, só nos enganaram e foi por uma boa causa! Um dia irão devolver. E afinal tudo o que está mal já vinha do anterior governo, por isso a culpa ficou lá atrás.

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Está aí alguém?… Continuo a chamar e ninguém responde.

Somos um povo de brandos costumes graças a Deus, mas sugiro que não deixemos de pensar bem naquilo que nos está a acontecer para daí tirar conclusões nos momentos em que somos chamados a participar.

E à classe política sugiro que tenham a coragem de dar voz à indignação (os que podem embora talvez não sejam muitos). Estou convicta de que há podridão em todos os partidos, mas limpem a casa sem medo para que nos seja possível distinguir o trigo do joio. Eu tenho a certeza que há políticos honestos, soluções boas para o nosso país, mas se ninguém diz nada a minha convicção fica só sustentada num acto de fé. Mostrem-nos que não compactuam com os Sócrates, Pinhos, Salgados, Loureiros, Varas e outros. Dêem-nos sinais de esperança.

E por fim sugiro à comunicação social que tenha a coragem de se desligar dos compromissos políticos, dos lobbies e interesses em favor da notícia e da verdade. O programa em várias sessões sobre o processo Operação Marquês na SIC, segundo dizem, foi longe demais, espezinhou as regras. Se foi um grito de desespero face à inoperância da justiça, tem atenuantes e para mim é menos grave do que os programas que de forma sub-reptícia nos desinformam.

É exemplo disso o que recentemente foi apresentado no jornal das 20h da RTP1 a propósito da eutanásia. Foi infame, e para mim, mais grave do que a reportagem que referi. É que a SIC afirmou que deliberadamente expôs informação reservada. Sim, foi longe de mais, mas não nos enganou. Já a peça da RTP1 pretendeu enganar-nos com dados e entrevistas que nos induzem em erro. E mais grave ainda: a RTP1 é-nos imposta. Quer queiramos quer não, temos que pagar uma televisão pública que é usada muitas vezes para nos enganar.

Está aí alguém?