O verniz estalou em França quando Emmanuel Macron, perante um jovem desempregado de 25 anos que se queixava de não arranjar emprego na sua área, a da horticultura, lhe respondeu que se estivesse pronto e motivado, na hotelaria, nos cafés e restaurantes não haveria um estabelecimento que lhe recusasse trabalho. Foi a indignação total, à esquerda e à direita, principalmente entre a extrema-esquerda e a extrema-direita que uma vez mais comprovaram o quanto se assemelham e que se digladiam pelo mesmo eleitorado. Em uníssono acusaram Macron de desrespeitar os desempregados e de desconhecer a realidade.

Mas o presidente francês disse mais que afirmar ser fácil arranjar trabalho. Macron declarou que quando alguém não consegue emprego no ofício que pretende é porque essa ocupação não é útil à sociedade, ao país. Dito de uma forma mais dura: ao mercado; de uma maneira mais suave: às pessoas. Se não arranjamos emprego no ofício que gostamos, para o qual nos preparámos, é porque para a maioria das pessoas esse ofício não tem interesse. Foi essencialmente isto que Macron disse ao jovem desempregado nos jardins do Eliseu.

Perante esta realidade existem três soluções. Uma: atribui-se um subsídio ao desempregado que é compensado por a sociedade não precisar do seu ofício. Duas: obrigam-se as empresas a contratar quem queira trabalhar em sectores que não representam mais-valia. Três: convence-se quem está desempregado a procurar outro emprego. Nas duas primeiras soluções a responsabilidade por aquele jovem desempregado não arranjar trabalho na área que gosta, ou para a qual se preparou, é repartida e diluída pelos contribuintes e pelas empresas (e por todos os que não serão depois contratados porque as empresas não têm condições para o fazer). Diluída a responsabilidade esta não se imputa  a ninguém e aquele desempregado será sempre um eleitor fiel. Na terceira solução, a responsabilidade é posta em cima do interessado. É este quem tem pensar em primeiro lugar o que pretende fazer da sua vida. Vivê-la por si ou à conta de outrem? É o tal ‘não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, mas o que tu podes fazer pelo teu país’ numa perspectiva não romântica, mas dura. Real. Palpável. O que Macron disse não é simpático, pode não garantir votos, mas é sério.

Advogado