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Carlos Moedas parece ainda não ter percebido que só há uma maneira de ganhar Lisboa: através da cruzada, de uma campanha abertamente ideológica e anti-esquerda. O que ele tem de fazer é convencer o povo da direita que o PS pode ser desalojado da capital – e que isso é um primeiro passo para acabar com a captura socialista do país.

A coisa em princípio não é inviável. A fatídica sondagem de Abril da Intercampus, em que a coligação PSD-CDS na capital figurava 20% abaixo do PS, pode afinal não ser tão fatídica como alguns pensam. Lisboa não está apenas dependente do Fado. O voto concentrado da direita lisboeta é bem capaz de bater uma esquerda que irá apresentar-se irremediavelmente dividida.

Para isso, o engenheiro Moedas precisa de surgir como o representante natural, inequívoco e útil da direita – sem necessidade sequer de negociar mais nada com quem quer que seja.

Não basta explorar as debilidades da gestão autárquica de Fernando Medina, embora isso também deva ser feito. Designadamente, no tocante às suas responsabilidades no recrudescimento da taxa de incidência da Covid em Lisboa, às suspeitas de actuação ilícita por parte de responsáveis autárquicos alvos de buscas policiais ou, ainda, ao clamoroso insucesso das políticas sociais da Câmara quanto à disponibilização de habitações de renda acessível e à ampliação da rede de centros de saúde na cidade.

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Mas, acima de tudo, Moedas deverá ser capaz de oferecer ao eleitorado uma candidatura alternativa de cariz ideológico, bipolarizadora e praticamente tão nacional como lisboeta. Necessita de protagonizar um bloco da direita que antecipe em Lisboa uma alternativa global aos dez anos de hegemonia das esquerdas.

Em vez de disputar o eleitorado do centro a Medina, a coligação PSD/CDS deve inspirar-se no posicionamento dos seus congéneres madrilenos, que obtiveram há dias uma vitória concludente baseada principalmente na oposição ao governo central de Espanha.

Portanto, Lisboa não se ganha a discutir um jardim mal regado, uma fachada com grafittis, uma creche descuidada ou um bairro social negligenciado. Lisboa não é apenas uma autarquia. Politicamente, Lisboa é Portugal. O resto é paisagem.