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Por uma escarpa inclinada, o (suposto) antigo coordenador do BE e um dos promotores da iniciativa sobre despenalização da morte assistida, João Semedo, desceu à lapa onde passa um vento glacial e sinistro.
Pediu conselho e quem lho deu foi a serpente que guarda o templo.
De lá voltou para o despejar em Portugal.
A pitonisa disse-lhe que “esta é a hora da decisão”.
E pediu uma decisão rápida na matéria aos sonambulares pais da pátria que rilham no parlamento a São Bento.
O oráculo também exigiu uma discussão racional e “sem medos” sobre o tema.
Mas, já agora, com um agendamento garantido até ao fim da sessão legislativa, em Julho.
Mais uma proposta típica do clã antediluviano bloco-comunista.
Como as outras, corrompida à partida.
E já decidida nas estrelas, porque não há tempo a perder.
Porque apesar de não ser uma questão de vida, é de morte!
Eutanásia e suicídio assistidos, agora ou nunca.
O martelo do relógio da foice quer dar as horas ao povo.
É que realmente não dói!
Segure no gatilho se faz favor.
Vá lá, assim não custa nada (ao Estado).
Nem aos outros.
Vamos lá, sem mais cuidados.
Porque já não há família.
Vá sem ai, sem ui.
Sem nada.
E não se esqueça de assinar o testamento vital, ouviu?
Um vento gelado também passou nos jardins do consultório do Dr. Mengele.
Não me recordo bem.
Não sei se falava de vontades livres.
De comissões técnicas e de especialistas julgo que sim.
De fármacos letais, também.
Como nos ensinaram dois surrados vampiros, a história repete-se sempre, pelo menos duas vezes.
A primeira vez como tragédia, a segunda como farsa.
Ainda podemos para o comboio antes de entrar na rampa descendente.
Mas só se as pessoas quiserem acordar a tempo.

Miguel Alvim é advogado e membro da Comissão Política Nacional do CDS

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