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A pouco e pouco, chega o desinteresse. Não é algo que venha por uma decisão qualquer ou por uma simples necessidade privada. Vem do tédio, do puro e simples tédio que resulta da observação de uma repetição para a qual parece não haver fim à vista. O PS tomou conta de tudo. Não é preciso dar exemplos de cargos ou nomes, porque eles estão em todo o lado. Todos os dias chega algo de novo – uma nomeação, uma lei, qualquer coisa assim – que confirma, e consegue ainda acentuar, o que já vinha de trás. Não há nada que lhe escape. Portugal está inteirinho nas mãos do PS. Vale sem dúvida a pena analisar o processo que conduziu a esta situação, mas, à falta de alternativa palpável, mesmo as melhores explicações não produzem efeito na realidade. Em perfeita democracia, o PS meteu Portugal, onde a liberdade não é um bem que se preze por aí além, no bolso. E viver no bolso do PS, enquanto o PS vive do nosso bolso, é um destino que vai ser o dos portugueses – porque muitos o querem, sem dúvida – por muito, muito tempo.

Não há, é claro, alternativa discernível. O maior partido da oposição, o PSD, que deveria naturalmente congregar em seu torno as forças que se opõem a este Governo cada vez mais comandado por um Partido-Estado, abdicou por completo da sua missão. O seu chefe iniciou-se com querelas teológicas – “O PSD não é de direita” – e prolongou o seu discurso com um auto-elogio ético permanente que é o vazio exibicionista da política levado aos seus extremos mais radicais. Falta-lhe ainda toda e qualquer sensibilidade para a questão da liberdade e nenhuma transformação do seu carácter inteligível é sequer remotamente previsível. Pelo caminho, lançou pela borda fora todas as cabeças pensantes que o PSD tinha adquirido nos tempos de Passos Coelho, quanto mais não seja porque o poderiam confrontar com os seus limites. No mais fundo do seu ser, continua a ser um candidato à presidência da Câmara do Porto, como facilmente se vê pelas suas querelas, a propósito ou a despropósito, com o actual presidente da Câmara.

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