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O país chocou com um iceberg, está a ir ao fundo, com as pessoas atropelando-se em pânico umas às outras para saltarem para botes salva-vidas, ou já a esbracejar no mar gelado, e a nossa orquestra do Titanic, vulgo Parlamento da República, continua impávida a tocar. Mas a música não é a mesma da versão original, nem ninguém supõe que, como os músicos do navio, os músicos do Parlamento se deixem afundar para, até ao último momento, inspirarem, através da música, alguma calma aos passageiros. Enfim, pelo menos é difícil imaginá-los assim heróicos, por mais que esta vida seja cheia de surpresas.

De resto, as canções que os entretêm – a lei da eutanásia e a lei da inseminação post mortem – não são exactamente doces eflúvios sonoros para a maioria dos passageiros. Não o seriam certamente para os do original Titanic e não o são, sem dúvida, para os do novo navio, rebaptizado Portugal. Mas é verdade que uma certa concepção contemporânea da integridade da arte praticamente proíbe qualquer tentativa de agradar ao público. E os nossos proficientes deputados seguem o ar do tempo como ninguém. É provavelmente a única coisa para a qual realmente se treinaram.

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