Rádio Observador

Psicologia

O outro lado das resoluções de ano novo /premium

Autor
  • Teresa Espassandim

Sejamos honestos: não há qualquer problema com as resoluções de ano novo e, mais ainda, pode até ser prenúncio da vontade em mudar algo nas nossas vidas, com envolvimento, compromisso, risco, esforço.

Fazer resoluções de ano novo, ao som das badaladas da meia-noite ou durante os últimos dias de Dezembro e primeiros de Janeiro (vá, até aos Reis), em jeito de balanço do ano velho que passou é muitíssimo frequente e, ainda que haja quem o considere kitsch, sejamos honestos: não há qualquer problema com isso e mais ainda, pode até mesmo ser o prenúncio da vontade em mudar algo nas nossas vidas. No limite vale tanto como utilizar uma peça de roupa nova ou fazer barulho com tampas de panelas na passagem de ano. Mas convém diferenciar dos desejos que se enunciam engolindo religiosamente uma a uma as doze passas enquanto à volta todos gritam “Bom anoooooo”. Esses não custam nada a pedir, nem ao próprio nem a ninguém, e estão a anos luz de se transformarem em objectivos, muito menos dos concretizáveis.

Mas agora que se iniciou no calendário um outro ciclo e aproveitando a motivação que ainda possam sentir para planear um novo futuro mais próximo do ideal de cada um, falo-vos do André [nome fictício] que me procurou para ser melhor. Não para ser melhor no abstracto, do tipo melhor pessoa, melhor namorado, melhor pai. O André queria ser melhor a comunicar em público, queria sentir-se mais eficaz a transmitir as coisas que pretendia aos outros, sem o embaraço e a atrapalhação que lhe eram tão familiares e que o levavam a evitar tantas situações onde realmente queria brilhar.

Sabem uma coisa interessante acerca do André? É que ele não me procurou logo no início do novo ano com esta resolução na manga nem tão pouco esperou pelo fim do ano para então, sim, começar a trabalhar na mudança que desejava. Na verdade, pouco importa quando é que ele o fez, porque é quando decidimos que estamos prontos para abraçar o processo de transformar a nossa visão do tal futuro ideal em realidade que iniciamos o processo de estabelecimento de objectivos e também de desenvolvimento pessoal.

O caminho e o modo de fixar objectivos ajuda-nos a escolher para onde queremos ir na vida. Ao sabermos exactamente o que pretendemos atingir, sabemos onde devemos concentrar os nossos esforços e rapidamente identificamos as distracções que podem facilmente levar-nos por trilhos errados. O André estava decidido a fazer algo qualitativamente diferente por ele, cansado de se ver confrontado com os mesmíssimos resultados que se seguiam inexoravelmente às formulações mágicas que evocava do tipo “para a próxima é que vai ser” ou “vai tudo correr bem”.

Começamos por criar um cenário global enquadrador da vida do André, procurando identificar objectivos numa uma escala grande que ele pretendesse atingir e fomos desdobrando-os, progressivamente, em alvos mais pequenos e mais pequenos para que neles pudesse acertar e alcançar os seus objectivos de vida. A definição de objectivos de vida genuínos possibilita aceder à perspectiva geral que molda todos os outros aspectos da tomada de decisão. Depois desta etapa, o André e eu percorremos outras, de construção do plano desde a longo prazo ao curto prazo, até à realização de listas de tarefas diárias que deveriam ser cumpridas para trabalhar para os objectivos anteriormente estabelecidos, procurando melhorar a qualidade e o realismo destes.

Foram várias as vezes que revimos estes objectivos de forma a que eles se ajustassem à forma como o André queria viver a sua vida e para refectir a mudança de prioridades e experiências acumuladas. Sempre que o André atingiu um objectivo ritualizou a conquista, reservando algum tempo para disfrutar da sensação de satisfação de o ter conseguido, interiorizando as implicações de o ter atingido e observar o progresso que tinha feito. Foram várias as vezes em que se recompensou, aumentando com tudo isto a sua auto-confiança.

Este pode ser o outro lado das resoluções de ano novo, que têm a enorme vantagem de poderem ser feitas em qualquer altura do ano, do mês, do dia… mas que implicam envolvimento, compromisso, risco, esforço, aprendizagem para então acontecer uma mudança nas nossas vidas. Bom ano novo!

Psicóloga Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, Psicologia da Educação, Psicoterapia e Psicologia Vocacional e do Desenvolvimento da Carreira

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Exames Nacionais

Reflexos na pauta /premium

Teresa Espassandim

Vamos lá lutar é por aquela décima no exame que a média agradece e os rankings rejubilam! Mas não esquecer o teatro, ERASMUS, o associativismo, o activismo, o desporto, o voluntariado, as viagens…

Trabalho

Psst, psst… O burnout anda por aí /premium

Teresa Espassandim

Quando o stress laboral se torna crónico e o ambiente entre colegas é conflituoso e nada colaborativo, o nosso envolvimento reduz-se à medida que o negativismo aumenta e o cinismo se torna recorrente.

Exames Nacionais

Reflexos na pauta /premium

Teresa Espassandim

Vamos lá lutar é por aquela décima no exame que a média agradece e os rankings rejubilam! Mas não esquecer o teatro, ERASMUS, o associativismo, o activismo, o desporto, o voluntariado, as viagens…

Educação

Inteligência Emocional, Mindfulness e Educação

Mafalda G. Moutinho
644

Regiões como o Reino Unido, Malta e as Canárias já têm como disciplina obrigatória a educação emocional que fornece aos alunos ferramentas para gerir conflitos, adversidades e situações inesperadas.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)