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Se o Estado português faliu primeiro moral ou estruturalmente é uma questão que o homicídio de Ihor Homeniuk não esclarece. Se a sua morte será em vão, e pouco ou nada mudará, é algo também por responder. A sua viagem pelos braços do Estado português, pelas entidades públicas portuguesas e pelos serviços públicos portugueses é, em tudo, trágica.

Ihor Homeniuk entrou no território nacional e cruzou-se ou conheceu, pelo menos, duas dezenas de portugueses. Foi entrevistado por vários inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras ao chegar, foi examinado, internado e medicado no Hospital Santa Maria durante uma noite, foi transportado pelo INEM e acompanhado por agentes do SEF e por uma tradutora, foi fechado numa sala no aeroporto de Lisboa, assistido por uma enfermeira da Cruz Vermelha, imobilizado por seguranças e, por último, agredido até à morte por três inspetores do SEF, que aguardam agora julgamento.

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