Os “fascistas da saúde” é uma expressão usada pelo mais brilhante pensador conservador contemporâneo, Roger Scruton. No contexto português a expressão deve ser adaptada à realidade nacional. O Bloco de Esquerda e o PCP (e o PAN para lá caminha) são os fascistas da saúde em Portugal. Têm dois objectivos: terminar com a iniciativa privada na saúde, e acabar com a liberdade de escolha dos cidadãos portugueses. A maior mentira da democracia portuguesa é a ideia de que as extremas esquerdas são a favor da liberdade. Nunca foram, não são, nem nunca serão. Têm um projecto totalitário de controlo da sociedade portuguesa. São os verdadeiros fascistas portugueses.

Embora os objectivos continuem a ser os de sempre – domínio totalitário – a táctica mudou. Procuram usar a política de causas, que cresce desde o início do século XXI, para atingir os seus objectivos (o PAN que se cuide porque a expansão bloquista para colonizar o partido de André Silva vai intensificar-se). Dito de outro modo, o domínio totalitário não se atinge através de uma revolução, como aconteceu no século XX, mas cresce e consolida-se através das políticas de causas. A saúde é um dos principais alvos.

A estratégia totalitária começou com o ataque às parcerias público privadas na saúde. A de Braga já acabou. Ontem o governo anunciou que não vai renovar a de Vila Franca de Xira. Os próximos alvos serão Loures e Cascais. Há quem aponte, com inteira razão, que em geral as parcerias público privadas funcionam melhor que os hospitais públicos. Mas esse é precisamente o problema. A demonstração de qualidade torna ainda mais necessário acabar com as parcerias público privadas. O sucesso e a qualidade ameaçam a estratégia dos fascistas da saúde: acabar com a participação dos grupos privados na saúde. Para isso inventam-se casos como os supostos problemas do Hospital de Vila Franca de Xira e abafam-se os problemas que ocorrem diariamente nos hospitais públicos.

O governo socialista aceita a estratégia das extremas esquerdas e ataca os poucos hospitais onde ainda há investimento. Quanto aos hospitais públicos, continuam a sofrer de falta de investimento. Este governo reforma destruindo, e destrói desinvestindo.

Os ataques às parcerias público privadas são apenas o primeiro passo da estratégia fascista. A seguir, o BE e o PCP atacarão a saúde privada. Se pudessem – e não sabemos se um dia não podem mesmo – acabavam com todo o investimento privado na saúde, destruindo os grupos de saúde. O Grupo José de Mello Saúde, o Grupo Hospitais da Luz, o Grupo Lusíadas e o Grupo Hospitais de Trofa que se cuidem. Eles são os alvos da ofensiva totalitária na saúde.

As vozes moderadas e sociais-democratas do PS devem travar esta ofensiva radical dos seus camaradas de geringonça. O SNS existe para servir os portugueses e não os objectivos ideológicos das extremas esquerdas. Os ataques ao investimento privado significam uma ameaça à saúde dos portugueses. A maioria dos portugueses quer bons cuidados de saúde. Não quer um poder totalitário que acabe com a sua liberdade de escolha.

O fascismo da saúde não se limita ao ataque ao investimento privado. Também se manifesta no modo como as esquerdas totalitárias querem controlar os hábitos das pessoas, desde a alimentação até actividades como a caça e as touradas. Repetem-se as declarações sobre a necessidade de controlar os hábitos alimentares com o argumento de que o tratamento das doenças custa dinheiro ao Estado. Mas não são só declarações. Cada vez há mais iniciativas legislativas a proibirem certos ingredientes. Veja-se o exemplo da carne da vaca. Juntam-se a defesa dos animais, a condenação da carne vermelha e até a afirmação de que a produção bovina prejudica o clima. Ou seja, estamos a assistir à utilização de políticas públicas para limitar a escolha e a liberdade individuais.

Vivemos numa sociedade onde há grupos que defendem a vida dos animais, mas aceitam a eutanásia. Defendem o uso das drogas leves, mas condenam o consumo da carne de vaca. Deste modo, vão gradualmente impondo um modo de vida a todos nós. Durante as eleições europeias falou-se muito das democracias iliberais e como o poder das maiorias pode ameaçar a democracia. Mas os perigos para a democracia não se limitam às ameaças ao estado de direito ou à liberdade de imprensa. Os ataques ao investimento privado e à liberdade de escolha individual também ameaçam a democracia liberal.

Em Portugal o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista são as grandes ameaças à democracia e à liberdade. A nossa imprensa indigna-se, e bem, com Orban e com Le Pen. Mas ignora as ameaças lideradas por Jerónimo Martins e Catarina Martins (na verdade Francisco Louçã). São os nossos fascistas, os nossos Orbans e as nossas Le Pens. Começaram na saúde mas, se puderem, será apenas o início.