Mais uma sondagem da Aximage, e mais um mau número para o CDS. Obviamente, que só leva a sério esta empresa quem quer. O fantástico é que existam órgãos de comunicação social que não peneirem a “informação” que lhes cai no colo. Essa era toda uma outra discussão, que não cabe aqui, mas que leva a perceber as razões pelas quais milhões de pessoas – e não são todas destituídas – acreditem na afirmação de Trump: Fake News!

Mas, porque há – felizmente – opções no mercado das empresas de sondagens, fui repescar as sondagens da Universidade Católica e o Barómetro da Intercampus (dados consultados na página da ERC em 01/12/20).

UCP/CESOP
outubro/2019 julho/2020
CDS 3% 3%
IL 0,60% 3%
CHEGA 0,60% 7%
(intenção de voto) (intenção de voto)

Como se vê, os crescimentos assinaláveis da IL e do Chega não são “feitos” à custa do CDS, mas de outros partidos e, principalmente, da abstenção.

Analisando o Barómetro da Intercampus:

É bom que todos se recordem que, quando a actual direcção do CDS tomou posse, o partido “valia” 1,7%. Talvez seja, pois, razoável, que não se façam especulações sobre os dados da Aximagem (que valem o que valem), dizendo que são o reflexo do acordo nos Açores.

Lincoln dizia que aquele que se defende a si próprio tem um tolo por cliente. Lamento, mas é o que parece. Os responsáveis do descalabro do CDS são aqueles que agora advogam que o que fizeram foi bem feito (1,7% é tão bom…) e que eles é que sabem. Inchados com o “belíssimo” resultado de Outubro de 2019 e com a “maravilhosa” sondagem dos 1,7%, têm o desplante de anunciar as linhas que o CDS deve traçar (seja lá o que isso quer dizer).

Mas não sou dos que colocam a cabeça na areia. Os números não são os que se pretendiam.

E? Seriam substancialmente diferentes com outro presidente? Tenham dó. Esta direcção tomou posse e três semanas depois caiu uma pandemia no mundo. Fazer passar a mensagem, sem dinheiro e sem acesso aos mass media é complicado. Numa pandemia é ainda mais.

Mas vejamos: tem o presidente dito algo que não devia? Tem a direcção violado os princípios constituintes do partido? As respostas – intelectualmente honestas – são: não e não. No entanto, os antigamente pragmáticos e agora idealistas, gostam de propalar que existe uma queda nas sondagens. Onde? Qual queda? Não na Católica e na Intercampus, como comprovam os quadros acima. Vá lá, vamos ser sérios. Uma crítica menos desonesta seria a de que não existe subida acentuada. E porque é que não existe uma subida acentuada?

Porque os tempos estão difíceis para o CDS. À sua direita deixou de existir uma parede e apareceu um barco que anda a pescar de arrasto no cardume da abstenção, essa maioria silenciosa que se sente representada pelo “Oliveira Figueira” da política portuguesa. À sua esquerda, além do tubarão que é o PSD, tem agora as piranhas da IL que, escapando (sabe-se lá como) às questões para as quais as suas posições são um pouco como os interruptores, vai “mordendo” a juventude urbana com o seu liberalismo l faire laissez passer, que só é bonito nas folhas de excel.

Manter o barco navegável nestas águas já é obra. Pescar é ainda mais.

Não é uma questão de fé, acreditar que depois da tempestade vem a bonança. Em política é regra. Como também não será preciso especular muito para perceber que a pesca de arrasto do Chega, faz com que para os seus porões vá de tudo: peixe pequeno, peixe bom, peixe velho, mas também muito lixo. O trabalho de escolha vai fazer voltar ao mar muito do pescado.

A IL, ou seja, as piranhas desta fábula, são, como se sabe, uma espécie que “(..) vive em cardumes, mas não adopta nenhuma estratégia colectiva para caçar. As suas coreografias assombrosas estão mais para o caótico, do que para o pensado. (…) Por isso, a hierarquia manifesta-se no próprio cardume com os peixes maiores e velhos no meio e os mais jovens e inexperientes na parte externa, ao alcance das mordidas e bicadas. As piranhas também têm inimigos, os seus dentes não amedrontam todas as espécies.” (texto do El País-Internacional).

Trata-se, portanto, de uma espécie em que os que estão bem na vida, lançam às feras os novos e impreparados. Sem regras, vivem do caos e da inspiração momentânea. Na evolução natural, este tipo de animal fica para trás.

Moral da história: pescar à linha é, neste momento, o tipo de pesca acertado. É certo que não enche a canastra da varina, mas é melhor uma canastra com poucos peixe-espada do que uma cheia de tainhas.