As imagens de António Costa a discutir com um eleitor não deixam qualquer dúvida: O PM é um homem ordinário, sem a educação adequada ao cargo que ocupa. Para ser o líder político de um país, sobretudo de uma democracia, não basta ser eleito. É necessário ser um exemplo. As divergências ideológicas e o confronto político são naturais. A dureza e a frieza que a luta pelo poder exigem são aceitáveis. Mas a ordinarice em público não pode ser desculpada. Nunca tinha visto um PM português com uma atitude de tão baixo nível, rasca mesmo, na história da democracia portuguesa.

Um líder político deve ser educado, calmo e manter sempre uma atitude digna em público. Vejam, por exemplo, os elogios feitos a Freitas do Amaral, e muitos deles por figuras socialistas. Uma das palavras usada por muitos foi “afável”. Discordei muitas vezes de Freitas do Amaral, mas foi sempre uma pessoa com uma educação pública exemplar. Jorge Sampaio, aparentemente um dos mentores políticos de António Costa, é outro exemplo de um político civilizado e educado. O mesmo se aplica a outro antigo líder socialista, António Guterres. Estou a escolher de propósito figuras de uma área política com a qual não me identifico, para sublinhar que em democracia, apesar de grandes diferenças doutrinais, há critérios de comportamento público que devem ser respeitados por todos, independentemente da sua origem partidária. António Costa não está claramente ao nível de muitos dos seus antecessores na liderança do PS.

António Costa exaltou-se, gritou e ameaçou agredir um homem muito mais velho. Aquelas imagens são extraordinárias. Parece mais uma cena de uma assembleia de um clube de futebol, como aconteceu recentemente com Luís Filipe Vieira, do que um momento de campanha com o PM de um país europeu. Num momento em que a ordinarice e a má-educação chegam ao topo do poder em muitos países democráticos, como Trump nos Estados Unidos, Bolsonaro no Brasil, ou Orban na Hungria, Costa mostrou que no fundo, em termos de educação pública, não é muito diferente.

E as mentiras do eleitor que discutiu com Costa não são desculpa. Costa não estava de férias durante e logo após os incêndios de 2017, mas julgará o PM que ele foi o único político português, vítima de mentiras ou até de ofensas durante uma campanha eleitoral? Vejam as ofensas e as mentiras que Passos Coelho e Paulo Portas enfrentaram entre 2011 e 2015. O mesmo se passou dezenas de vezes com com Jorge Sampaio e com António Guterres ou com qualquer outro líder político. Aqueles que não sabem enfrentar situações como a do Terreiro do Paço na passada sexta feira, não podem estar na vida política.

Se o comportamento de Costa foi lamentável, as suas desculpas não ficaram atrás. Culpar a “direita”, o PSD e o CDS pelo que aconteceu mostra a falta de carácter de António Costa. É o comportamento típico do actual PS: nunca têm culpa pelo que fazem, os culpados são sempre os outros. É extraordinário. António Costa perde a calma, tem um comportamento ordinário, e a culpa é alheia, neste caso da direita.

O episódio do Terreiro do Paço mostra um homem nervoso e tenso, que queria uma maioria absoluta para matar de vez o fantasma de Sócrates no PS. Expõe um homem que se comporta como um menino mimado, a quem tudo é permitido, quando é contrariado. E revela um político perigoso, arrogante, implacável com aqueles que o enfrentam e sem escrúpulos nas justificações que procura para os seus erros. Pobre país que tem um PM com a falta de preparação e de educação que António Costa revela. Em democracia, não basta ser eleito. Também é necessário saber comportar-se como um exemplo de civilidade política. Reside aí uma das superioridades morais dos regimes democráticos. Costa mostrou que não está à altura da cultura democrática. O que se passou no Terreiro do Paço foi o acontecimento mais grave de toda a campanha, e nunca deixará de prosseguir António Costa até ao fim da sua vida política.