Como a maioria dos portugueses, cresci a ver touradas nas velhas RTP 1 e RTP 2. Não sou um aficionado – devo ter ido três ou quatro vezes ao Campo Pequeno – nem tenho família ligada aos touros, ou aos cavalos. Mas gostava de ver touradas, sobretudo o toureio a cavalo (uma arte, sem qualquer dúvida), e as pegas, um exercício de coragem e bravura humana. Parece que a Assembleia da República vai discutir a proibição das touradas no início do próximo mês, como resultado de mais uma ofensiva ideológica da coligação pró-animal ente o BE e o PAN.

Mais do que as touradas, será a defesa das tradições e da cultura portuguesa que estará em jogo no parlamento português. Além das esquerdas radicais, recordo-me que, nos tempos mais fervorosos do ‘europeísmo unificador’, Bruxelas ensaiou um ataque às touradas. Os governos espanhol, português e francês avisaram imediatamente a Comissão Europeia para respeitar as identidades nacionais. Bruxelas, entretanto, aprendeu a respeitar touradas, pão com sal, cervejas locais e outras especificidades nacionais. O ataque às tradições portuguesas vem agora das extremas esquerdas nacionais.

Como se tem visto nos últimos anos, as esquerdas radicais atacam a família tradicional, a história de Portugal e os costumes nacionais. Para esta gente, uma família de mãe, pai e filhos é uma instituição da religião católica e da sociedade burguesa que deve ser combatida e enfraquecida. Este ataque à família tradicional nada tem a ver com os direitos dos homossexuais. Pode defender-se os direitos das minorias sexuais sem se iniciar uma ofensiva radical contra a ideia tradicional de família.

Com as recentes polémicas sobre os Descobrimentos e a escravatura nas colónias portuguesas, a propósito das celebrações do 10 de Junho, também assistimos a ataques ferozes à história nacional por parte dos bloquistas. Neste caso, houve uma mistura de fanatismo com ignorância histórica. Não consigo lembrar-me de uma líder partidária tão ignorante, tão inculta e mal preparada como Catarina Martins. Nem um aluno do primeiro ano do liceu fala da história de Portugal como a senhora Martins. Há historiadores competentes no Bloco. Deviam ensinar a senhora e avisá-la para não dizer certos disparates.

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