Sob forte pressão de liquidez e com medo de um incumprimento de pagamentos, o Grupo Espírito Santo está a convidar os credores da Espírito Santo Internacional a alongar os prazos de pagamento das dívidas e a aceitarem uma troca de papel comercial da ESI por ações da RioForte – uma instituição do grupo que está mais protegida contra insolvências.

Segundo o jornal Expresso deste sábado, este é o plano do GES já entregue ao Banco de Portugal. E pretende evitar uma rutura iminente, provocada pelo seu passivo atual (hoje maior do que os ativos), com uma dívida de curto prazo demasiado elevada, a que se juntam os processos abertos pelo supervisor sobre alegadas irregularidades graves nas suas contas. Como sublinha o Expresso, trata-se nesta fase de resolver o problema dos negócios não financeiros do Grupo – visto que o BES aparenta estar protegido de um problema eventual no GES.

A RioForte, que será o instrumento central neste processo de recuperação, é apontada pelo BES como uma solução mais sólida, alegadamente por ter ativos para vender, de forma a reduzir a sua dívida. Na cascata de holdings do GES, é a família Espírito Santo que controla a ESI, que por sua vez controla a RioForte, que é a maior acionista da ESFG, por sua vez a maior acionista do BES.

A verdade, porém, é que o BES já entrou num novo território para evitar um incumprimento. Como noticiou na sexta-feira o Observador, o Banco de Portugal aceitou, há cerca de um mês, que o BES emprestasse 100 milhões de euros à RioForte, uma das holdings do Grupo Espírito Santo. Uma transação anormal segundo as regras do supervisor, que só a autorizou para evitar o cenário pior. Uma situação que revela a fragilidade da própria RioForte, também ela na iminência de uma rutura financeira.