O jornal satírico Charlie Hebdo está de volta para dizer que “a vida continua” quase dois meses depois dos ataques que mataram 12 elementos da equipa na redação em Paris. É isso que sugere a capa do jornal que estará nas bancas quarta-feira dia 25. Uma matilha raivosa, composta por figuras nas quais se reconhecem os traços de Marine Le Pen, do Papa e de Nicholas Sarkozy, persegue um cão que leva na boca um exemplar de Charlie Hebdo. A legenda promete a continuação da sátira, interrompida durante seis semanas: “Aqui vamos nós outra vez”.

Neste regresso de Charlie Hebdo os leitores podem encontrar uma entrevista ao ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis e cartoons sobre o julgamento de Strauss-Kahn, sobre os atentados em Copenhaga e sobre a profanação de um cemitério judaico.

À semelhança do número anterior – em que Maomé é retratado a chorar e segurando uma placa com o slogan de solidariedade “Je Suis Charlie” (Eu Sou Charlie) – esta capa foi também desenhada pelo cartoonista Luz. “Temos de falar do regresso do Charlie, mas para dizer que o Charlie vai recomeçar a fazer o seu trabalho contra a estupidez, contra a Frente Nacional”, disse Luz ao Libération.

A equipa do Charlie Hebdo continua a trabalhar na sede do Libération, que cedeu um espaço para que a publicação pudesse continuar. Depois de uma pausa, a redação decidiu retomar a periodicidade semanal, tendo escolhido um novo diretor – Gérard Biard, que substitui Charb, morto nos atentados.

“Precisávamos de uma pausa, de descanso. Alguns precisavam de recomeçar a trabalhar – como eu – e outros precisavam de mais tempo”, disse Gérard Biard à France 24, explicando que a equipa acabou por chegar a um consenso quando à data de regresso – o dia 25 de fevereiro.

Este número teve ainda contributos de cartoonistas de outras publicações, como Pétillon, do semanário satírico “Canard Enchaîné”.

O primeiro Charlie Hebdo depois dos ataques vendeu oito milhões de exemplares, um número muito acima da tiragem habitual de 50 mil exemplares. O número desta quarta-feira, a edição 1179 – terá uma tiragem de 2,5 milhões de exemplares.