O PS vai apresentar na Comissão Parlamentar de Trabalho, na quarta-feira, uma proposta para que o primeiro-ministro esclareça em detalhe o seu percurso perante a Segurança Social e exige a defesa da atuação destes serviços do Estado.

Sónia Fertuzinhos, vice-presidente da bancada socialista, falava no Parlamento, após o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, durante uma visita ao SISAB, ter afirmado que estava convencido que há 15 anos as contribuições para a Segurança Social dos trabalhadores independentes eram “de opção”, assegurando que não teve qualquer intenção de não cumprir as suas obrigações contributivas. O jornal Público noticiou no sábado que, entre outubro de 1999 e setembro de 2004, Pedro Passos Coelho acumulou dívidas à Segurança Social, tendo decidido pagá-las voluntariamente em fevereiro, num total de cerca de quatro mil euros.

“O primeiro-ministro tem de esclarecer exatamente o contexto em que não pagou à Segurança Social e tem de corrigir o que foi dito pelo ministro Pedro Mota Soares relativamente à responsabilidade dos serviços da Segurança Social neste caso”, declarou a vice-presidente da bancada socialista.

Sónia Fertuzinhos adiantou que, nesse sentido, o PS apresentará na quarta-feira, na Comissão Parlamentar de Trabalho e da Segurança Social, uma proposta para que esta comissão envie ao primeiro-ministro um conjunto de perguntas e de pedidos de esclarecimentos por forma a reunir todos os dados sobre o caso.

“Trata-se de uma atuação que o primeiro-ministro já deveria ter feito de sua livre iniciativa, em vez de ter esta intervenção (que só não é patética porque é grave) de tentar alegar desconhecimento de uma lei que era pelo menos conhecida por mais de 700 mil portugueses”, apontou a dirigente socialista numa alusão às declarações esta manhã proferidas por Pedro Passos Coelho.