O Walt Disney do erotismo. É assim que a Vanity Fair, edição espanhola, se refere a Hugh Hefner, o homem por trás do império Playboy que celebrou 89 anos esta quinta-feira, dia 9 de abril. É milionário, está casado com uma mulher 60 anos mais nova do que ele e não dá sinais de querer abrandar. Porque mesmo assumindo todos os clichés de um bon vivant — para muitos é visto como a representação máxima do machismo — continua a trabalhar na revista que fundou.

Falar do pai do coelho mais famoso do mundo — sem ofensa a Bugs Bunny — é falar da Playboy. São dois elementos inseparáveis que há mais de 60 anos marcam presença no mercado e no imaginário do sexo masculino. Hugh Hefner nasceu em Chicago e foi criado por pais conservadores, mas isso não impediu que fosse a mãe a ajudá-lo a alcançar o sucesso. Foi ela quem emprestou 1.000 dos 8.000 dólares que Hefner — Hef para os amigos — precisava para fundar a sua própria revista, depois de ter trabalhado como jornalista noutras publicações.

Hugh Hefner pelos anos

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O primeiro número, produzido na cozinha de Hefner, saiu com Marilyn Monroe na capa. Estávamos em dezembro de 1953. Ao contrário do que se possa pensar, a atriz nunca posou para as lentes fotográficas da Playboy e a fotografia inédita — que rendeu a Hefner cerca de 55 mil cópias vendidas — fora comprada por 500 dólares. A imagem dizia respeito a um período em que Monroe era ainda Norma Jean, longe do estrelato que viria a marcar a sua curta vida. Hefner e Monroe nunca se conheceram, mas é ao lado do seu ícone sexual de juventude que o milionário pretende passar a eternidade: comprou, em 1992, um túmulo no cemitério ao lado do da loira de Hollywood. Por enquanto, continua a morar na já mítica mansão Playboy.

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Depois dela, seguiram-se rostos (e corpos) que até hoje permanecem na memória do público. Algumas das capas mais icónicas — veja-as em fotogaleria — contaram com o contributo de Cindy Crawford, Naomi Campbell, Elle MacPherson e Claudia Schiffer, as mulheres responsáveis pelo começo da era das supermodelos.

Desde 1953 que se lê, escrito em letras garrafais, “entretenimento para homens” nas capas da revista. Mas desengane-se quem pense que a Playboy era e é uma revista puramente com fotos de mulheres (praticamente) nuas. A publicação tem um particular interesse pelo estilo de vida, e não faltam reportagens a honrar a profissão de jornalista.

A ficção também marca presença: Ian Fleming usou a revista para publicar as primeiras aventuras do espião de sotaque inglês, James Bond. Contam-se outras contribuições de outros escritores, dos quais são exemplo Gabriel García Márquez e Truman Capote. A Hefner coube a ainda a responsabilidade, auto-atribuída claro, de fazer entrevistas de fundo a personalidades políticas, de Fidel Castro ou Jimmy Carter a Martin Luther King.

O sucesso da revista foi também o sucesso de Hefner, que não só se tornou num homem rico e poderoso, como num irrevogável Don Juan que já teve mais de 100 parceiras sexuais — terá agradecido a Deus a existência do Viagra –, tal como contou numa entrevista à Esquire. Apesar disso, sempre disse ser fiel durante os seus dois primeiros casamentos: com Mildred Williams, com quem esteve entre 1949 e 1959, e depois com Kimberley Conrad, entre 1989 e 1998. Agora é a vez de Crystal Harris, a sua atual mulher que ainda fará 29 anos.