Rui Rio não gostou de ver uma notícia no fim da semana passada a dar conta de que iria avançar para a Presidência da República e exigiu, em tom zangado, que a liberdade da comunicação social termine “à porta da liberdade de todos nós”. O ex-autarca pediu mais responsabilidade aos jornalistas que, disse, dão muitas vezes “notícias que não são verdade”.

A SIC avançou sexta-feira que o ex-autarca do Porto se preparava para anunciar uma candidatura a Belém neste mês de junho e Rui Rio desmentiu, mais tarde, a informação em comunicado. Mas esta terça-feira não se ficou pelo primeiro desmentido. Disse Rio que há na comunicação social “notícias que não são verdade”. “Eu próprio fui alvo de uma notícia, há dois ou três dias, completamente inventada e quando a desmenti, o canal de televisão veio dizer: ‘recuou'”, disse. Ora perante este cenário, Rio especulou que “se calhar já lá foi metida de propósito para eu desmentir e dizerem que recuou” e deixou a sua visão do que deve ser a liberdade de imprensa:

“Isto não é saudável em democracia. Isto poderá ser próprio de regimes totalitários.(…) Sem a liberdade de imprensa não há democracia. Não é a democracia ficar frágil, não há pura e simplesmente. A minha liberdade impõe que eu tenha também responsabilidade. Porque a minha liberdade acaba à porta da liberdade dos outros. A liberdade de imprensa também pára à porta da liberdade de todos nós”, finalizou.

“Eu desminto que tenha decidido o que quer que seja. É isso. E quem sabe se decidiu sou eu e não terceiros, nem quartos, nem quintos”, esclareceu Rui Rio, à margem da conferência do Jornal de Notícias, que decorreu esta terça-feira na Casa da Música, no Porto, citado pela Lusa.

O antigo autarca da Câmara do Porto enfatizou que “estas coisas têm que ser pensadas, têm que ser amadurecidas”, não se tratando de “nenhuma brincadeira” porque “é uma coisa muito séria e portanto necessita de tempo e de auscultação da opinião dos outros”. “Não há dúvidas que alguém meteu a notícia com uma intenção. Não sei se era com a intenção de me provocar para eu dizer qualquer coisa, com a intenção de eu desmentir para depois dizer que recuei. Não sei. Mas a intenção bonita não é”, lamentou.

O discurso do autarca começou por se concentrar na permanente “violação do segredo de justiça” para falar sobre a violação de alguns direitos importantes. Numa altura em que José Sócrates, ex-primeiro-ministro, continua em prisão preventiva, não deixa de ser importante o reparo de Rui Rio. “É inadmissível fazerem-se julgamentos na praça pública que são próprios de uma ditadura, mas não são próprios de democracia. Não posso ficar contente que se façam julgamentos públicos de uma pessoa que não gosto e ficar triste quando se faz de uma pessoa que gosto. (…) E realmente aqui em Portugal tem sido igual para todos. Mas mau para todos de uma forma perfeitamente inadmissível”.

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