O slogan dos socialistas portugueses e espanhóis por estes dias poderia ser qualquer coisa como: queremos uma solução para os gregos, mas nós não somos o Syriza. Pelo menos foi essa a mensagem que tanto António Costa como Pedro Sanchèz quiseram passar no encontro conjunto em Lisboa. Reforçaram a ideia que PS e PSOE são partidos “responsáveis”, mas que a Europa não pode abandonar os gregos.

“A prioridade tem de ser reforçar a União Europeia e isso passa também por se chegar a um acordo em relação a esta situação. A expectativa que tenho é que um acordo seja alcançado. O Governo português agiu mal ao criar obstáculos”, disse António Costa na conferência de imprensa conjunta com o homólogo espanhol.

Costa ainda não tinha falado sobre o agudizar da crise grega. E desta vez não foi tão longe nas palavras de solidariedade para com Alexis Tsipras. Disse Costa que “todos desejamos que este acordo não falhe” e que o que se tem de fazer é “trabalhar para que seja possível”. Mas mais não disse. Com as últimas sondagens a refletirem não só a apresentação do programa socialista, mas também o impacto da crise grega na política portuguesa, o líder do PS reagiu com cautela. Durante o discurso fez questão de salientar diferenças para o governo grego, mas sobretudo para o português.

Disse Costa que o PS não se “resigna a viver com austeridade para viver no euro. A alternativa que propomos é seria, de confiança, credível, que aposta no cumprimento das regras do euro, mas que aposta no caminho da convergência”. E acrescentou que com o discurso que tem feito não está a dizer que “tudo o que é mau vem da Europa”, até porque há coisas boas, como por exemplo a política do BCE: “O que estamos aqui a a dizer é que a forma de nos batermos por uma mudança na Europa, não é assumirmos isoladamente compromissos, mas a de criarmos alianças”, reforçou.

E esta era a atitude que queria ter visto do governo português. Para o socialista,

“se outros tivessem seguido este exemplo, se todos tivessem tido uma postura construtiva e menos na confrontação , a incerteza seria menor”.

Palavras que depois contextualizou e reforçou como dizendo respeito à atuação de Passos Coelho na criação de obstáculos a um acordo com os gregos.

Se António Costa não falou diretamente dos gregos nem para os gregos, o mesmo não o fez Pedro Sanchèz. O socialista espanhol, líder do PSOE, começou por defender que o projeto europeu é um “projeto de solidariedade” e que por isso pede à Europa que seja “solidária com a Grécia”, mas é uma moeda com duas faces:

“Pedimos à Europa que ajude a Grécia, mas também pedimos ao Governo grego que ajude os gregos”, disse.

Pedro Sanchèz também sente em Espanha o efeito político da Grécia. Se no princípio sentiu-o com o crescimento do movimento Podemos, agora quer usar essa colagem em seu favor. E por isso também acentuou a mensagem de que os socialistas dos dois lados da fronteira são diferentes e importantes para a mudança que querem levar a cabo na Europa. Daí, disse, “a importância em que haja governos progressistas, que pensem nas pessoas (…) e que haja partidos como o PS e o PSOE, que dão a garantia que se pode mudar a política económica e que tenham influência nas instituições comunitárias”.