Futuro da Grécia

“Varoufakis foi sacrificado” por estratégia, é no que se acredita nas ruas de Atenas

Depois de uma noite de festa, a cidade ficou muito calma e com poucas pessoas na rua. As pessoas falam pouco e o ambiente está tenso, na expetativa, dizem alguns locais ao Observador.

Christopher Furlong

Um dia depois do referendo em que o Não ao programa proposto pelos credores ganhou por uma margem significativa, Atenas acordou praticamente sem ministro das Finanças. Varoufakis demitiu-se com acusações aos credores e sem saber o futuro. Nas ruas, o ambiente é calmo, mas com receio do que pode vir. Varoufakis, há quem acredite, foi sacrificado pela estratégia de Tsipras.

“Está tudo muito calmo. As pessoas estão na expetativa”. É assim que Elias, um engenheiro de 28 anos, a trabalhar num restaurante no centro de Atenas, explica o ambiente entre os gregos. Antes de ser conhecido que os bancos iam permanecer fechados por mais dois dias além do prazo previsto inicialmente, o jovem explicava ao Observador como vê os seus compatriotas. O ambiente é calmo, mas com alguma tensão no ar, diz.

“As pessoas estão muito quietas. Falam muito pouco, não é normal. Eu acho que estão com medo do que vem a seguir”, afirma. O “Não” ganhou. Está Elias feliz? “Não estou feliz, mas estou satisfeito. Acho que é preciso mudar e sou apoiante do Não, mas também sei que vêm aí medidas muito difíceis”.

E a saída de Yanis Varoufakis, estava à espera: “É estratégia. Varoufakis foi sacrificado em prol da estratégia do Governo. Agora é preciso recomeçar as negociações do zero, e por isso o primeiro-ministro Tsipras decidiu sacrificar Varoufakis. Mas acho que estava pensado”.

Daphne, empregada de uma loja de recordações em Monastiraki, também considera que a saída de Varoufakis estava pensada desde o início. “Há seis meses que estavam a preparar Tsakalotos. Varoufakis é um show man, é mediático. Mas não é um político”. Sobre o ambiente, a jovem de 27 anos, pensa o mesmo que Elias, mas tem maiores receios. “O ambiente está muito calmo, as pessoas estão muito caladas, mas acho que estão muito tensas”. Poderá haver mais violência? “Se continuarem a faltar medicamentos nas farmácias, se a comida começar a faltar, acho que sim. É estranho o que se passa. O povo grego não é assim”.

Daphne diz que para já, só quer saber quando é que vão abrir os bancos. A nova data é quinta-feira, mas até lá tudo depende do que acontece nas negociações em Bruxelas e em Frankfurt, onde o Banco Central Europeu (BCE) de Mario Draghi tem a faca e o queijo na mão, no que à sobrevivência dos bancos gregos diz respeito. É que pode retirar a qualquer momento a permissão ao banco central grego de continuar a financiar a banca grega com liquidez de emergência.

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