Candidatos há muitos e ideias também, mas Lawrence Lessig tem apenas uma: aprovar a aquilo a que chama a Lei da Igualdade entre Cidadãos para 2017. Quando esse dia chegar, demite-se. Obviamente? Talvez.

A ideia base de Lessig é que o panorama político norte-americano já não está feito para o povo, mas apenas para aqueles que têm mais dinheiro e, consequentemente, mais poder e influência junto do Congresso, o órgão que vota as leis. “O sistema está feito para bloquear as reformas que poderiam beneficiar a maioria dos norte-americanos. Está feito para ajudar os poucos que, com o seu dinheiro, financiam as campanhas dos políticos”, diz Lessig num vídeo promocional da sua campanha.

Este professor da Universidade de Harvard fala mesmo de “corrupção” — corrupção essa que, sem ser derrubada, será sempre um obstáculo a novas medidas. “Está tudo ligado a este problema. Não vamos conseguir impor limites sãos à posse de armas até lidarmos com este problema. Não vamos tratar do aquecimento global até lidarmos com este problema. Não vamos conseguir levar para a frente nada daquilo que os democratas estão a falar [nesta campanha] até tratarmos deste problema.”

A Lei da Igualdade entre Cidadãos para 2017, planeada por Lessig, está divida em três pontos:

  1. Igualdade no acesso ao voto. Livrar o voto de “barreiras discriminatórias” e tornar o ato eleitoral mais acessível a todos os cidadãos ao mudar o dia de eleições para o dia de um feriado a designar — nos EUA, as eleições são à terça-feira.
  2. Representação igual para todos. Pôr fim à manipulação de círculos eleitorais conforme as conveniências políticas
  3. Campanhas financiadas por cidadãos. Para contrapor as contribuições avultadas de grandes empresários e lóbis, Lessig propõe um sistema que permita aos cidadão financiar com quantias simbólicas as campanhas políticas — isto aconteceria de uma forma simples, através de vouchers. As campanhas poderão também ser financiadas por dinheiros públicos.

Chegar, ver, vencer e sair

A estratégia de Lessig pode parecer confusa, mas acima de tudo ela é um plano em que cada coisa é feita da sua vez.

Para já, Lessig terá de reunir 1 milhão de dólares até o Labor Day deste ano (7 de setembro) — para já, segundo o seu site, está quase a atingir metade desse objetivo. Se conseguir reunir esse valor, o académico parte para as eleições primárias do Partido Democrata — o Partido Republicano parece estar fora de questão para Lessig. Aí, o objetivo seria atingir pelo menos 1% dos votos — o mínimo necessário para ir aos debates televisivos.

Aí, frente a frente com os outros candidatos, Lessig teria de conseguir levar à sua avante ao ponto de conquistar a confiança do eleitorado do Partido Democrático. E, depois, idealmente para os seus planos, seria eleito como o 45º Presidente dos Estados Unidos da América.

Chegado à Casa Branca, Lessig teria a função de um “Presidente referendo”. “Um candidato que se candidata à Presidência com uma única promessa: se for eleito estará no cargo quanto tempo for necessário para aprovar reformas fundamentais no sentido de atingir igualdade entre cidadãos.” A tal Lei da Igualdade entre Cidadãos para 2017.

É aí que surgiria o próximo passo: Lessig demitir-se-ia e daria o lugar ao seu vice-Presidente. “Alguém que se identifique real e claramente com os ideais do Partido Democrata”, explica. Mas quem?

No seu site, Lessig deixa várias hipóteses de políticos do Partido Democrata. Alguns não são surpresa para ninguém, até porque já oficializaram as suas candidaturas a Presidente (e não a vice-Presidente) dos EUA: Hillary Clinton ou Bernie Sanders. Também lá está o atual número dois de Barack Obama, Joe Biden, à volta do qual surgiram rumores de uma potencial candidatura a número um.

Surpreendente é outro nome de uma pessoa que, tal como Lessig pretende fazer, se demitiu enquanto estava no topo da sua carreira: o comediante e ex-apresentador do Daily Show, Jon Stewart.