No rescaldo das eleições, o primeiro discurso político que se ouviu foi o do presidente da Câmara de Lisboa. Fernando Medina, que faz parte do núcleo duro de António Costa, aproveitou o palco das comemorações do 5 de Outubro para defender “negociações pluripartidárias” e o “compromisso de todos”, para dizer que está na mão do atual Governo saber ler as mensagens que o eleitorado deixou:

“Não é um exercício fácil. Mas são estas as escolha soberanas dos portugueses e nenhum partido tem o direito de deixar o país refém da instabilidade e da sucessão de crises políticas”, disse.

No discurso da sessão solene do 5 de Outubro, Fernando Medina tinha à sua frente dois ex-presidentes da República, Mário Soares e Jorge Sampaio, e dois presidenciáveis, Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa. E perante a moldura presidencial que não incluiu Cavaco Silva, o autarca fez um discurso nacional, aliás, como era hábito de António Costa: “Este é o tempo de os partidos que têm agora de dar resposta às mensagens que os portugueses lhes impuseram: conciliar a pertença à Europa e à moeda única, com a mudança nas políticas económicas e sociais e num quadro de negociação pluripartidária”, disse.

Para o presidente da Câmara isto acontece porque os portugueses deixaram “três mensagens” nestas eleições.

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Para Fernando Medina, “ontem virou-se uma página e abriu-se um novo ciclo político no país”, disse. E perante esta premissa, passou para as três mensagens que saíram, segundo a sua ótica:

  1. “Em primeiro lugar, pretendem um país comprometido com a  Europa e com a moeda única”, disse. Depois acrescentou que “os portugueses não desejam nem caucionam o radicalismo e a rutura com o projeto europeu”;
  2. “Em segundo lugar, os portugueses afirmaram que querem uma mudança na política económica e social. Uma clara maioria votou em partidos que fizeram da rejeição da austeridade o ponto nuclear”;
  3. “Em terceiro lugar, os portugueses afirmaram a exigência do entendimento entre partidos para dar ao país uma solução de governabilidade estável e eficaz”.

E foi neste ponto que defendeu que o ónus está do lado de PSD e CDS, que venceram as eleições. Uma ideia aliás deixada no dia anterior por António Costa. Os eleitores “ao negarem uma maioria absoluta a qualquer das forças políticas, impuseram a obrigação de negociação e de compromisso a todos, desde logo a quem irá assumir as responsabilidades de governação”. Os portugueses”exigem uma verdadeira cultura de compromisso político”, frisou.

A frase não é inocente, sobretudo depois das eleições que ditaram a perda da maioria absoluta para a coligação e uma derrota difícil de explicar para os socialistas. A direção alargada do partido reúne-se amanhã em Comissão Política e será certo que há críticos a Costa que querem avançar para a liderança. Tal como noticiado esta manhã pelo Observador, Álvaro Beleza já admitiu estar disponível para ser candidato.