José Ribeiro e Castro acredita que o candidato presidencial apoiado pela direita deve defender com clareza a convocação de eleições antecipadas, algo que Marcelo Rebelo de Sousa não faz. O antigo líder centrista acredita que o país deve voltar rapidamente às urnas para dissipar este clima de “confrontação aguda”. “É indispensável um tira-teimas eleitoral”.

Em entrevista à TSF, Ribeiro e Castro defendeu que, apesar de constitucionalmente legítimo, um Governo socialista apoiado por Bloco e PCP sofre de uma “ilegítima política substancial”, “uma vez que não foi falado, não foi presumido [e] ninguém pensou nele”. Nessa linha, a “manter-se uma situação de confrontação ou de instabilidade”, é urgente convocar eleições antecipadas. 

O calendário constitucional impede que seja Cavaco Silva a fazê-lo. À esquerda, nenhum dos candidatos presidenciais parece equacionar essa hipótese. À direita, Marcelo Rebelo de Sousa é, até ver, o único candidato na corrida, mas, no sábado, o antigo líder social-democrata deixou claro que nenhum partido deve ser excluído do regime democrático, em clara alusão ao discurso do Presidente da República. Antes, Marcelo já tinha afirmado que não seria “nem candidato nem Presidente de metade do país contra outra metade”.

As palavras do ex-comentador deixam antever que Marcelo, caso vença a corrida a Belém, não convocará eleições antecipadas. Ora, para Ribeiro e Castro, faz falta um candidato à direita que o faça. “Espaço teoricamente existe, porque falta este discurso [e] porque Marcelo Rebelo de Sousa, de facto, não diz isso”.

Apesar de sublinhar que um Governo “das esquerdas” deve ser sufragado nas urnas, Ribeiro e Castro não quer um Governo de gestão até novas eleições. Primeiro, porque “são governos que incendeiam o ambiente político – seria um governo que viveria em confronto total com o Parlamento”. Depois, porque “[um Governo de gestão] conduziria a uma vitória esmagadora da esquerda” nas próximas eleições. Terceiro, porque deixava o país cair “ridículo” aos olhos da Europa, “por ser uma manobra com contornos pouco democráticos”, sustentou.

O centrista, que se despediu da Assembleia na última legislatura por entre críticas à direção do partido, não perdeu a oportunidade de questionar a forma com a coligação geriu todo o processo pós-eleições. “Quem se opõe à coligação das esquerdas tem feito o possível e o impossível para unir as esquerdas e forçar esse acordo”. Desde o “festejo efusivo da coligação na noite eleitoral, como se tivessem ganho a maioria absoluta” à “correria para os Conselhos de Estado” e à “assinatura do acordo” entre PSD e CDS, completamente “desnecessário. “Uma sucessão de factos extraordinários” que deram “um sinal de exclusão” aos outros partidos e que funcionou como cola das esquerdas, resumiu Ribeiro e Castro.