O jornal Avante!, que está a assinalar 85 anos de existência, metade dos quais na clandestinidade como órgão antifascista, continua a afirmar-se hoje como um instrumento do PCP a favor das “aspirações dos trabalhadores e do povo”.

Denominando-se de “órgão central do Partido Comunista Português”, o atual Avante! mantém o objetivo de “dar voz aos trabalhadores e à sua organização, às suas lutas e à sua ação”, disse à agência Lusa o diretor Manuel Rodrigues no dia em que o jornal “fechou” a edição número 2.202 comemorativa dos 85 anos da publicação.

“Podemos até dizer que é o único jornal português que de uma forma sistemática assegura que os trabalhadores e de um modo geral as classes antimonopolistas, os micro e pequenos e médios empresários, agricultores, intelectuais e quadros técnicos, os jovens, as mulheres tenham aqui uma voz que não encontramos (…) em outros semanários ou em outros jornais do espetro da imprensa nacional”, defendeu Manuel Rodrigues.

Com 32 páginas a cores, o jornal fundado a 15 de fevereiro de 1931, está online há duas décadas e segundo o seu diretor “está atento à evolução dos tempos” no que se refere à utilização da tecnologia para aumentar a sua difusão, referindo como exemplo o processo histórico por que passou o jornal.

“Começou pelo papel bíblia nos tempos do fascismo, por razões óbvias, começou entre duas e quatro páginas e depois evoluiu para o formato grande que se manteve após o 25 de Abril [de 1974] até ao início da década de 80, depois passou para o tamanho tabloide, evoluiu também no domínio das cores e da sua própria colocação online”, enumerou.

Nesse sentido, acrescentou, o Avante! “nunca deixou de estar atento à evolução dos tempos e à evolução tecnológica e à necessidade de se afirmar e de aproveitar todo o tipo de veículos para projetar e aumentar a sua divulgação e a sua venda”.

Escusando-se a divulgar o número de jornais impressos ou vendidos, Manuel Rodrigues, que assumiu o cargo de diretor há dois anos, explicou que há dois circuitos de distribuição do jornal, cuja redação funciona num dos pisos da sede nacional do PCP, em Lisboa.

Há um circuito comercial que envolve uma empresa de distribuição que coloca o semanário em quiosques, papelarias e livrarias e um outro “que prevalece em termos de venda e de distribuição” e que é a “própria organização do PCP, já que se trata do órgão central do PCP, as organizações regionais do PCP asseguram uma distribuição própria, um sistema de vendas próprio”.

Um dos objetivos da direção é alargar as vendas de rua, à porta de empresas ou distribuições domiciliárias.

O jornal, que não tem publicidade, possui uma equipa de sete redatores, dois gráficos, dois fotojornalistas, um chefe de redação e um adjunto e colaboradores regulares em várias áreas.

O Avante! dos tempos da clandestinidade está integralmente disponível online bem como todas as edições desde o ano de 1996 até à atualidade.