Tema incontornável do momento, no que à indústria automóvel diz respeito, a condução autónoma é vista, sobretudo, como algo destinado a facilitar a vida aos condutores e a incrementar a segurança. Por vezes, dando a entender que, como se num passe de mágica, o mundo passasse a ser perfeito, as estradas um paraíso e as infracções e os prevaricadores uma miragem.

Claro que só muito dificilmente as coisas se passarão assim. E é por isso que há já quem pense em aplicações para os veículos autónomos destinadas (também) às autoridades fiscalizadoras do trânsito. Pelo que poderá não faltar muito tempo para que possamos ter a patrulhar a via pública veículos capazes de rodar quase indefinidamente, sem sinais de fadiga, sono ou outras “fraquezas” tão características do ser humano.

Um desses projectos dá pelo nome de Brigade. É o resultado de uma proposta do designer industrial canadiano Eduardo Arndt e destina-se a auxiliar a polícia na vigilância das estradas, para tal detectando infracções menores e emitindo, automaticamente, as respectivas sanções. As famosas multas…

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A DLRB-306 visa optimizar a eficácia das forças policiais (em carne e osso) que, uma vez libertas do controlo de delitos menores, se podem concentrar em infracções ou crimes de maior gravidade

Esta moto eléctrica, alimentada por baterias, dispensa o condutor, ao estar equipada com um giroscópio que garante que se mantém direita. Dispõe ainda de um conjunto de sensores, câmaras, altifalantes e projectores que lhe permitem detectar infracções (típicas do seu país de origem) como matrículas fora de prazo ou veículos estacionados em local indevido.

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Quando tal acontece, a Brigade pode automaticamente não só enviar por e-mail para o infractor a respectiva multa, como para os serviços policiais o registo em vídeo da infracção cometida, destinado a servir de prova em eventual disputa legal. E está também apta a, na presença de um condutor em excesso de velocidade, utilizar as suas luzes e uma mensagem áudio com o intuito a instá-lo a abrandar e a cumprir com os limites impostos – alerta que, caso seja ignorado, se poderá traduzir num aviso automático para a brigada de patrulhamento “física” mais próxima.

A ideia de Eduardo Arndt assenta no princípio de que, se um veículo deste género puder desempenhar as tarefas policiais mais simples, os agentes disporão de mais tempo para lidar com os crimes e ameaças realmente importantes para a segurança pública. Por outro lado, a Brigade exibe uma aparência suficiente próxima da de uma moto convencional, para que ninguém se sinta assustado na sua presença. Pelo menos, aqueles que nada tiverem a temer quando na presença deste Robocop de duas rodas.