O discurso de algumas empresas para realizarem um negócio passa por explicar o seguinte ao cliente: Pagamos adiantado o valor da apólice. Pagamos as suas mensalidades durante o resto da sua vida. Quando morrer, nós ficamos com o dinheiro do seguro.

Literalmente, estas empresas fazem dinheiro com a morte dos clientes ao comprarem o seguro de vida da pessoa. A GWG Life é uma delas mas quer levar este negócio a um novo patamar, realizando testes de ADN, através de amostras de saliva, para tentar determinar quando é que o cliente irá morrer.

Quando as pessoas já não conseguem continuar a suportar a despesa associada ao seguro de saúde, ou simplesmente não querem ter esse encargo, empresas como a GWG Life oferecem-se para comprar, e continuar a pagar, esse seguro. Em 2016, a GWG Life comprou um total de 315 seguros de vida.

Metilação do ADN

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É uma modificação química do ADN – Ácido desoxirribonucleico – que envolve a adição de um grupo metilo – um carbono ligado diretamente a três hidrogénios – sem alterar a sequência original do ADN.

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Os telómeros – extremos dos cromossomas – têm ADN muito metilado, para impedir que os cromossomas “continuem a crescer”. Neste caso da GWG Life, a empresa estuda a metilação do ADN porque: quanto maior for a metilação, mais curtos são os telómeros e, supostamente, são mais envelhecidos, levando a uma possível conclusão sobre se a pessoa ainda vai viver durante mais ou menos anos.

Para aperfeiçoar o negócio, esta companhia decidiu começar a solicitar aos clientes uma amostra de saliva para, em teoria, através de testes de metilação do ADN, tentar perceber quanto tempo de vida resta ao cliente, ou seja, quanto tempo falta para receberem o dinheiro do seguro que estão prestes a comprar.

Apesar desta técnica não ser ainda muito credível para alguns cientistas, a empresa acredita que este método, ainda em fase de testes, pode trazer grandes benefícios para diversas áreas da saúde. “Isso é mais previsível do que saber quando alguém vai fumar ou beber ou lutar com um crocodilo como hobby? Não me parece”, comentou ao Stat News Mark Rothstein, bioquímico na Universidade de Louisville especialista na área da genética.

Tecnicamente, o interesse principal da empresa não é tentar determinar quando é que alguém vai morrer, mas sim por quanto tempo vai ter de suportar o custo do seguro de vida desse cliente, e chegar a um valor mais acertado de quanto vale a apólice que está a comprar.

Para que empresas como a GWG Life consigam ter lucro, precisam de conseguir prever por quanto tempo vão ter de pagar o seguro de vida de cada cliente, uma tarefa difícil tendo em conta que as pessoas tem vivido por mais anos do que aqueles calculados pelas empresas.

“Nos últimos 10, 15, 20 anos, eles têm sido muito fracos a avaliar quanto tempo de vida resta às pessoas. As pessoas têm vivido mais tempo do que aquele que as empresas que compraram a apólice calcularam”, conta Steve Weisbart, economista no Instituto de Informação de Seguros que estuda seguros de vida, ao Stat News.