Os 18 polícias acusados pelo Ministério Público dos crimes de tortura, sequestro e ofensa à integridade física qualificada, agravados por ódio e discriminação racial no na Cova da Moura, na Amadora, contra seis jovens cabo-verdianos, ainda não foram suspensos de funções e quatro deles ainda estão na esquadra de Alfragide, escreve, esta sexta-feira, o DN, citando fonte sindical.

Em causa estão factos ocorridos a 5 de fevereiro de 2015 e que vinham sendo investigados pela Unidade Nacional de Contraterrorismo da Polícia Judiciária. O processo começou com os jovens cabo-verdianos a serem constituídos arguidos, por alegadamente terem invadido a esquadra de Alfragide para libertarem um outro que tinha sido detido: foram indiciados pelos crimes de resistência e coação contra funcionários, injúria, dano e ofensa à integridade física.

Porém, a investigação terá permitido perceber que a versão dos jovens era a correta. Segundo o DN, o Ministério Público concluiu que a detenção do primeiro jovem foi arbitrária e violenta e que os agentes da PSP mentiram e espancaram violentamente quer o detido, quer os jovens amigos que foram à esquadra. A Direção da PSP foi notificada da acusação a 10 de julho último.

Agentes da PSP acusados de crimes de tortura, racismo e injúria

Escreve agora o DN que, apesar de a ministra Constança Urbano de Sousa ter exigido ao diretor nacional da PSP que aplicasse uma pena de suspensão de funções aos agentes acusados destes crimes, os mesmos continuam a exercer atividades: 14 foram deixando o posto de Alfragide ao longo dos últimos dois anos por outros motivos que não estão relacionados com este processo e quatro ainda estão naquela esquadra, apesar de já terem pedido para sair. A informação foi avançada ao DN por fonte sindical, face à ausência de respostas por parte da Direção Nacional da PSP.

Questionado sobre estes factos, o Ministério da Administração Interna limitou-se a dizer que “mantém a sua posição no sentido de exigir o cumprimento do regulamento disciplinar”.

Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical de Profissionais de Polícia, embora entenda que os polícias não devem ser suspensos, admite que se abra uma “exceção para os agentes que ainda estão em Alfragide” de forma a “autorizar a sua transferência imediata para o comando que requererem”, se for do interesse dos mesmos. E lamenta que o superintendente-chefe Luís Farinha ainda não tenha tido a iniciativa de autorizar a transferência.