Os principais líderes europeus não conseguiram chegar a acordo esta quinta-feira para fixar um prazo, até 2050, para atingir a neutralidade climática até 2050. A notícia é avançada pelo Politico, site especializado em política europeia, que refere que esse era um dos pontos em discussão na reunião de esta quinta-feira em Bruxelas, para o Conselho Europeu, mas o prazo foi vetado pela Polónia, República Checa e Hungria.

Da reunião, foi possível acordar apenas esforços com vista a uma transição para “a neutralidade climática na União Europeia, em linha com o que foi definido no Acordo de Paris”. Apesar disso, uma referência explícita ao prazo sugerido para cumprir esta tarefa, 2050, acabou por cair do acordo final, mesmo sendo apoiado por uma larga maioria.

De acordo com um diplomata “presente na sala” e citado pelo Politico, o governo polaco reiterou não se querer comprometer com o prazo por temer “efeitos adversos” na sua economia. Outro diplomata, também não identificado, utilizou uma expressão menos prosaica: “Os polacos gostam do seu porco bem maduro”.

A recusa terá sido explicada na reunião pelo primeiro-ministro polaco Mateusz Morawiecki, que aos jornalistas afirmou: “Precisamos [primeiro] de chegar a acordo sobre condições muito concretas de eventuais mecanismos de compensação [financeira]”.  A Polónia pretende ser ressarcida por diminuir as suas contribuições para as alterações climáticas, dado que a sua economia é menos robusta do que a de outras potências e seria especialmente afetada com a redução drástica de emissões de carbono no país.

Ainda na reunião do Conselho Europeu, os estados-membros da UE acordaram “com unanimidade” manter as sanções económicas à Rússia, impostas em 2014 após a anexação da Crimeia pelo regime de Vladimir Putin e depois de apoio dado a separatistas em solo ucraniano.

Ainda em Bruxelas, os líderes europeus vão tentar chegar a acordo esta quinta-feira quanto ao próximo presidente da Comissão Europeia. Apesar do Partido Popular apoiar o alemão Manfred Weber, os socialistas opõem-se fortemente ao candidato do PPE e pretendem eleger um outro candidato, com o apoio dos liberais. A imprensa internacional chegou mesmo a veicular o primeiro-ministro português António Costa como alguém que estaria bem cotado para assumir a presidência deste órgão.

Caso não saia fumo branco da reunião desta quinta-feira quanto ao nome do próximo presidente da Comissão Europeia, os líderes europeus poderão ter de voltar em breve a Bruxelas. A entrada em funções da próxima Comissão Europeia está prevista para o dia 1 de novembro, mas o calendário, apertado, obriga a que as principais famílias europeias cheguem a acordo em breve.