Marcelo Rebelo de Sousa garantiu esta quarta-feira não estar preocupado com a manifestação das forças policiais marcada para quinta-feira, frisando que parece haver vontade de contacto e diálogo entre o Governo e as entidades associativas. O Presidente da República falava esta quarta-feira na cerimónia de lançamento do projeto PSuperior, do jornal Público, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.

Questionado sobre se estaria preocupado com a manifestação conjunta da PSP e da GNR, Marcelo respondeu negativamente. “Não vejo razão nenhuma para estar preocupado se houver a vontade que parece haver de contacto e diálogo entre o Governo e as entidades associativas no que respeita às forças de segurança, sobre o estatuto das forças de segurança, que se deteriorou, de facto, ao longo dos últimos 10 anos”, garante o Presidente.

Para o chefe de Estado, a manifestação representa o “exercício de um direito democrático”, um direito que “deve ser encarado como sendo de todos os cidadãos”. Também recordou que tem vindo a chamar a atenção para a valorização do estatuto das forças armadas e de segurança. “É público e notório que o Governo tem vindo nos últimos dias a ter contactos com associações representativas sobre o domínio das forças de segurança e sobre o estatuto das forças de segurança no futuro”, afirmou o presidente.

Presidente quer medidas de apoio à imprensa no OE2020

Já sobre o projeto de incentivo à leitura de jornais lançado pelo jornal Público, o Presidente afirmou que há ainda “muitas medidas possíveis” para que a imprensa consiga sobreviver, acrescentando que, tal como noutros países, poderia ser o Estado a facilitar “o acesso às assinaturas”, ao invés de esta ser proveniente de investimentos privados.

“O que não podemos é ter a sensação de que ano para ano vai fechando um jornal, vai havendo uma crise numa rádio, num grupo de comunicação social. Isso começa a atingir a democracia portuguesa e as pessoas ficam insensíveis”, disse.

Ao admitir que algumas medidas poderiam ter sido ponderadas, mas não o foram, na última legislatura, Marcelo justificou a falta de ação nesta área com a possibilidade de haver a acusação de eleitoralismo. No entanto, espera que o orçamento do próximo ano pondere propostas já apresentadas e aprove medidas de apoio à imprensa portuguesa.

“O que é preciso é garantir que é de uma forma geral e abstrata, que não há favores ou privilégios, (…) que não é uma forma de limitar a libertar a liberdade de imprensa, mas sim de a promover”, apelou.