O episódio Especial de Natal do Porta dos Fundos, disponível na Netflix, vai ser retirado do ar no Brasil, decidiu esta quarta-feira a Justiça do Rio de Janeiro. A decisão foi tomada para “acalmar os ânimos”, afirmou o desembargador Benedicto Abicair, citado pelo Folha de S. Paulo. Ao Estadão fonte da Netflix diz que ainda não foi notificada da decisão.

O pedido de suspensão do vídeo “A primeira Tentação de Cristo” foi feito por um grupo religioso, a Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura, depois de ter tentado uma ação cível pública a pedir a retirada do filme e de esta ter sido negada por duas vezes. Se numa decisão inicial os juízes não encontraram qualquer violação dos direitos humanos ou incitamento ao ódio, a decisão de agora, assinada por Abicair, foi bem diferente.

“As consequências da divulgação e exibição da produção artística (…) são passíveis de provocar danos mais graves e irreparáveis do que a sua suspensão, até porque o Natal de 2019 já foi comemorado por todos”, escreveu o desembargador.

Segundo Abicair, que justifica que a associação procura defender os direitos da comunidade cristã, a suspensão é mais adequada e benéfica, “não só para a comunidade cristã, mas para a sociedade brasileira, maioritariamente cristã”.

O grupo humorístico Porta dos Fundos, segundo aquele juiz, defendeu a sua produção com agressividade. “Do outro lado têm-se empresas, com fins lucrativos, uma que se apossou de uma obra de domínio público, milenar, que congrega milhões de fiéis seguidores”, escreveu.

Em causa está a mais recente comédia, de 46 minutos, da Porta dos Fundos, “Especial de Natal: A Primeira Tentação de Cristo”, lançada a 3 de dezembro. O filme apresenta Jesus Cristo como homossexual, questionando a sua vocação para pregar a palavra de Deus.

O filme, protagonizado pelos humoristas brasileiros Gregório Duvivier e Fábio Porchat, não agradou a grupos religiosos, que criticaram a temática abordada. Desde que o episódio foi lançado, a Justiça brasileira acumulou pelo menos sete ações de instituições religiosas contra a Netflix, escreve o mesmo jornal. Fora da justiça, surgiu ainda uma petição contra o filme que na primeira semana acumulou mais de um milhão de assinaturas.

Dias depois desde a criação da petição, foram atirados dois cocktails molotov contra a fachada do prédio onde está instalada a produtora do grupo, tendo o fogo sido contido antes de provocar consequências mais graves. Um dos suspeitos foi já identificado, mas terá conseguido fugir do Brasil antes de ser detido.